quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

cap 13 - Daniel


Era só o que faltava! Além de ter intoxicação alimentar e levar um tiro, agora a Sarin e a Kate estavam pulando e gritando igual loucas no meio da sala.

-Isso não é demais Dan?! –Disse Sarin pulando no meu colo. Será que só eu lembro que levei um tiro?!

-Ai!

-Desculpa! –disse ela se afastando. –Mas não é demais?!

-Exatamente. De mais. –Me joguei no sofá com total desinteresse, mas acho que elas tinham animação por toda a família.

-Pera ai... Enjôo! – Kate pôs a mão na boca e correu pro banheiro. Sarin se jogou do meu lado no sofá.

-Você não parece tão animado. –Concluiu Sarin olhando-me.

-Sério?! Bem, eu tive intoxicação alimentar, Kate invadiu a nossa casa e me deu um tiro só porque estava grávida. Acredite, eu estou festejando por dentro.

-Ai Dan... Ela está feliz. Você não se lembra de quando descobriu que ia ser papai?!

-Não atirei em ninguém por isso. –Ela desconsiderou meu comentário.

-Ai Dan, como o Krisher deve estar?!

-Abobalhado como sempre. –Algo me fez pensar se ele sabia que gravidez significava que ele ia ser pai. Eu ri com o pensamento do Krisher tentando trocar fraldas.

-Do que está rindo Daniel?! –Pergunta Kate que tinha acabado de voltar.

-Eu estava imaginando o Krisher trocando fraldas! –ri.

-Você também não sabe trocar fraldas, espertinho! –Disse Kate rindo.

-Ela tem razão amor. –Sarin também riu. Elas acabaram com o meu humor. Tay começou a chorar. Ótima oportunidade de mostrar que sei cuidar de bebês.

-Deixa que eu vou. –Disse indo pro quarto da Tay e deixando as duas sem entender.

Cheguei ao quarto da Tay, uma explosão lilás. Tudo era lilás, as paredes, as roupas de cama, a cortina fina, o pano que caia sobre o berço, e no meio de toda aquela cor mãozinhas pequenas e agitadas se debatiam dentro do berço. Peguei minha pequena no colo.

-Shh... Calma. Papai vai cuidar de você. –O problema é que eu não sei como fazer isso! Certo. O que a Sarin faria?! Mamadeira.

-Tay! Vamos cozinhar. -Passei pela sala ninando a Tay e fui direto pra cozinha. Kate e Sarin me seguiam.

Problema: Eu só posso usar um braço! Fiz uma espécie de bercinho com os panos de prato em cima da pia, pus a Tay lá, botei o leite pra ferver e me distrai brincando de fazer cócegas na Tay.

-Daniel... Er... O leite... –Olhei pra Sarin com cara de tédio.

-O que tem o leite?! –Kate prendeu o riso e apontou para a panela.

-Olha! –Droga! O leite tinha fervido e estava derramando da chaleira. OK. Tudo sob controle. Botei o leite na mamadeira até a metade e completei com o leite frio (ouvi isso numa rádio). Antes de dar pra Tay experimentei no braço.

-Ai! –Dicas idiotas de programa de segunda categoria! O leite me queimou! Até a Tay pareceu rir de mim. Deixei o leite dentro d’água fria depois de lavar o braço.

-Viu Sarin. Descobrimos uma coisa que o “seu super-herói” não sabe fazer. –Disse Kate rindo, Sarin corou. Quando olhei pra Kate ela deu língua. Eu ia provar que podia cuidar da minha filha.

-Certo. Vamos apostar então. Eu vou cuidar da Tay por uma semana. Você e a Sarin podem ir fazer compras, ou sei lá. A Jane e meu pai vão julgar meu desempenho. Se eu for bem você faz o que eu quiser e se for mau você pede o que quiser.

-Feito! –Grita Kate aceitando o desafio. Apertamos as mãos e eu fui cuidar da Tay. Pus a mamadeira com o leite agora morno na sua boca e peguei no colo indo pro quarto dela.

-Kate, acho que ele ficou chateado. –Ouvi Sarin comentar. Apenas me sentei numa poltrona no quarto de Tay e dei-lhe a mamadeira.

-Você viu né Tay?! Elas acham que eu não sou capaz de cuidar de você, minha própria filha! Ela vai ver só. Eu vou ser o melhor pai do mundo! Mas voltando aquele papo sobre meninos, lembra... –Enquanto eu falava dos futuros pretendentes com quem minha filha não iria namorar ela me olhava com aqueles olhinhos azuis e lindos.

Depois que Tay adormeceu percebi que outro par de olhos estavam grudados em mim. Sarin estava parada na soleira da porta me observando.

-Também acha que não sei cuidar da Tay? –Disse colocando minha filha no berço.

-Claro que não amor. Acho você um pai maravilhoso. Só queria vê-lo cuidar da nossa filha. –Ela sorriu ficando a meu lado junto ao berço. Abracei-a e beijei seu rosto.

-Eu te amo. Amo as duas.

-Também te amo. –Disse ela. Beijei-a, dessa vez nos lábios e fomos pro nosso quarto, onde adormecemos abraçados.

No dia seguinte

Acordei com dor no braço, logo descobri o porquê. Sarin havia adormecido sobre meu braço machucado. Afastei-a cuidadosamente, mas ela acabou acordando.

-O que houve amor? –Disse ela sonolenta afundando ainda mais a cabeça no meu ombro. Prendi o grito e soquei o colchão.

-Meu... Braço. –Disse entre dentes. Ela se levantou na mesma hora.

-Desculpe! Desculpe! Eu esqueci! Te machuquei?!

-Ta tudo bem. –Me sentei com a mão no braço.

-Eu vou pegar seu remédio! –Avisou ela já saindo da cama.

-Não precisa! Sarin! –Ela fingiu não me ouvir e voltou com o comprimido e um copo de suco.

-Toma.

-Não quero. –Fiz bico e virei pro lado como uma criança.

-Daniel Longbutton! Tome seu remédio agora mesmo!

-Não preciso de remédio!

-E vai ficar sentindo dor?!

-É! –Ela suspirou.

-Daniel... Amor olhe pra mim. –Olhei-a. - Tome o seu remédio, por favor. –Fiz que não com a cabeça. –Por mim. –Ela deu um sorriso lindo. Revirei os olhos e engoli o comprimido e o suco fazendo careta.

-Feliz?! –Perguntei.

-Muito. –Ela me beijou deitando-se sobre mim, desta vez com cuidado. Tay começou a chorar e Sarin parou com os beijos.

-Já vou Tay. Já vou. –Disse levantando-me e indo preguiçosamente até o quarto da Tay. –Fraldas?! –Disse olhando-a se debater no berço. Peguei-a no colo e confirmei a suspeita da troca de fralda com o cheiro. É só lembrar do programa de rádio.

1º_ Colocá-la deitada na bancada do banheiro.
2º_ Segurar as pernas levantando-as e tirar a fralda.
3º_ Limpá-la com cuidado e carinho. –Como uma criança tão pequena faz tanto coco em uma noite?!-
4º_ Colocar o talco.
5º_ Colocar a fralda.
6º_ Colocar o alfinete, com cuidado! Repeti três vezes o 6º passo sem sucesso.


-É assim. Viu amor? Tente você. –Sarin colocou e tirou o alfinete. Depois eu consegui colocar do jeito certo.

-Obrigado amor. –Disse beijando-a.

Eu, Sarin, Jane, Tay, Krisher, Kate e meu pai almoçamos juntos no quintal, conversamos e rimos juntos a tarde toda. Depois contamos a Jane e a meu pai que eles seriam os juízes da minha aposta com Kate, e Jane ensinaria Sarin a cozinhar. Eu e Krisher apostamos quantas vezes ela ia queimar alguma coisa.

-Parem de rir, são vocês dois que vão provar as comidas dela! –Sentenciou Jane! Engoli em seco e Krisher se escondeu atrás de Kate.

-Não! Eu não posso ter intoxicação alimentar agora que vou ser papai! –Gritou. Todos rimos e passamos o resto do dia em festa.

Cap 12 - Sarin

Finalmente estou em casa, graças a Rullinê. Dentre tantos agentes da CIA quem me salvou foi minha irmã, é quase impossível acreditar. Quero agradecer a Daniel por tudo, mas quero fazer isso de uma forma diferente... Vou aproveitar que todos já liberaram a nossa casa e vou fazer o nosso café da manhã especial!



Deixei Tay no berço depois de amamentá-la e fui pra cozinha. Liguei pra minha mãe e peguei os ingredientes. Mesmo ela insistindo que era melhor eu pedir pra alguém me ajudar fui cozinhar sozinha a “omelet a lá Sarin”! Ok. Primeiro o ovo, mas eu coloco ele todo ou tem que tirar a casca? Acho melhor usar todo, assim fica mais crocante. Agora Sal, mas onde fica o sal.



-Aqui. –Disse ao achar a vasilhinha escrito “sugar”. Coloquei três colheres pra ficar bem salgadinho e mexi os dois ovos na frigideira com óleo, bacon, azeite, manteiga e um pauzinho de canela picado. Depois de alguns minutos Daniel desceu.



-Oi amor! –Disse ele me dando um beijo no rosto enquanto eu desligava o fogo.

-Olha! Eu cozinhei pra você! –Disse segurando a frigideira com minha omelete crocante. Ele sentou-se na mesa com cara de preocupado.



-Pra... Mim?



-É! Prova! –Devia estar uma delicia porque ele comeu com tanta vontade que nem falou nada, então tive que perguntar. –E então? O que achou?



-Uma delicia! Nunca comi nada parecido! Delicioso! –Disse ele de boca cheia.

-Então. Você consegue saber o que é?



-É... É... Ser não identificado?



-Não! É uma omelete crocante! –Disse meio triste por ele não reconhecer o sabor.



-Eu sabia! –Ele gritou e saiu correndo pro banheiro. Suspirei depois do meu desastre culinário. Alguém bateu na porta e eu fui atender.



-Sarin! Vem comigo ao hospital? Não estou me sentindo bem e não quero ir sozinha com o Krisher! –Pediu Kate quase chorando.

-Certo. Só vou trocar de roupa e chamar o Dan.

-Dan?! -É... Eu fui... Esquece!


-OK. Vamos? –Depois de alguns minutos já estávamos a caminho do hospital.

Chegando lá Krisher foi com Daniel e eu com Tay e Kate, ela teve que fazer uma serie de exames e depois fomos encontrar com os meninos no carro.



- E... O que você tem? –Perguntei a Daniel quando entramos no carro.

-Nada. –Respondeu ele olhando pra rua pela janela.


-Intoxicação alimentar. –Respondeu Krisher prendendo o riso.

-De... Desculpe. –Disse timidamente mexendo na mantinha de Tay.

-Foi apenas uma dorzinha. Eu estou bem agora. –Disse ele me beijando fazendo Tay chorar no meu colo.

1 semana depois

Eu, Daniel e Tay já estávamos dormindo quando acordo com um estrondo na sala.

-Fique ai. –Disse Daniel se levantando enquanto pegava a arma em cima do criado mudo.

-Mas...

-Fique.

-OK. –Ele saiu do quarto com a arma em mãos. Escutei um tiro e desci correndo. Daniel sangrando no último degrau da escada.

-Daniel! –Alguém acende a luz e eu pude ver Kate AL lado de Daniel segurando a arma dela. –O que aconteceu?

-Eu... Eu... –Gagueja Kate.

-Você... Você?! –Falo nervosa.

-Atirei nele! –Gritou ela.

-Por que?! –Perguntei em pânico.

-Pensei...

-Pensou errado! –Gritou Daniel.

-Você nem sabe o que eu pensei! Pensei que fosse o Still!

-Você me confundiu com um maníaco, assassino, psicopata, idiota?! O que ele estaria fazendo na minha casa?! Ai!

-Não sei! Desculpa! Você prefere ir pra um hospital ou vai ficar ai gritando comigo?!

-Ai!

-Acho que isso é um sim! –Disse ajudando Daniel a levantar. Fomos pro hospital discutindo sobre as diferenças entre Daniel e Still.

Chegando ao hospital Daniel foi logo atendido e enquanto eu e Kate o esperávamos ligamos pro Jonh pra avisar o que tinha acontecido e dizer pra ele ir pegar a Tay nesse instante!

-O que é que você foi fazer lá em casa?! –Perguntei,

-Depois eu falo... Estou preocupada com o Dan.

-Sei...

-Kate Guerguiev! Você me deve uma! Um dia eu vou te dar um tiro no braço pra ver se você vai gostar! –Disse Daniel saindo da emergência com o braço enfaixado e uma tipóia prendendo este. Kate riu e fomos pra casa.

Quando chegamos a casa já estava amanhecendo, explicamos a Jonh mais ou menos o que tinha acontecido e ele voltou pra sua casa assim que Jane telefonou, provavelmente brigando com ele. Eu, Daniel e Kate ficamos conversando na sala.

-E ai Kate? –Perguntou Daniel de pé perto da porta.

-E ai o que?

-Pra quê todo aquele escândalo?! –Disse ele.

-A isso... Não foi culpa minha.

-Não imagina. Foi da Tay! –Disse Daniel.

-Não. Foi do bebê.

-Que bebê?! –Perguntamos eu e Daniel em uníssono.

-O meu. –Eu e Kate começamos a pular feito duas doidas.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Cap 11 - Daniel


Entramos no novo carro do meu pai, um Jaguar último modelo vermelho com motor modificado, a maquina chegava a quase 200 Km/h.

Não dizíamos nada, apenas rodávamos procurando algo “suspeito”. Já passava de meia noite quando paramos pela primeira vez, não por vontade, mas sim por falta de gasolina.

-Porcaria de lata velha! Ande seu pedaço de ferro velho! Ande! –Gritei com o carro pisando no acelerador inutilmente. Deixei minha cabeça bater no volante, desistindo do carro.

-O que vamos fazer Daniel? –Ele pergunta olhando a estrada.

-Não sei.

-Onde estamos?

-Não sei. –Respondi ainda com a cabeça no volante.

- O que vamos fazer?

-Eu não sei! –Disse me segurando pra não socar-lo.

-Olha. –Disse ele apontando pra um grupo de adolescentes bêbados amontoados em uma caminhonete velha que parou a nossa frente.

-Vem. Agente vai ganhar um carro. –Ele apenas saltou do carro junto comigo.

-O que dois mauricinhos como vocês fazem na Ensenada?! –Pergunta um poço de músculos em espanhol socando a mão enquanto os outros riam atrás dele.

-Estávamos dando uma volta, mas não é da conta de vocês. –Respondo também em espanhol. Os cinco idiotas nos cercaram rindo. Então outro deles fala continuando nosso dialogo em espanhol.

-Vocês estão se achando demais pra dois estadunidenses perdidos!

-Então estamos quites porque vocês estão com marra demais pra um bando de mexicanos babacas. –Agora eu deixei os caras com raiva. Eles vieram pra cima de mim e de Krisher, nós distribuímos alguns socos e chutes e levamos alguns também.

-Vamos acabar logo com isso! –Gritou Krisher pra mim em russo. Quebrei o nariz do cara a minha frente, dei-lhe uma banda e corri pra caminhonete, Krisher chutou a cara do outro e entrou no carro também.

-Cadê a chave?! –Gritamos juntos.

-Droga! –Ele saiu do carro e foi na direção do cara que estava de pé segurando a chave. O cara era gigantesco, os músculos pareciam montanhas, mas não parecia ter um cérebro... Bem, o Krisher também não tinha um e deve ter metade do tamanho e músculos do gigante. Vi um sinalizador no porta luvas e disparei pro alto sem pensar duas vezes. A luz vermelha distraiu o armário e Krisher deu-lhe uma voadora, pegando a chave do cara caído e voltando pro carro.

Dei ré em alta velocidade e depois girei o carro acelerando na estrada de terra. A caminhonete era antiga e chegava no Maximo a 80 Km/h, o que dificultou nossa “fuga”.

Chegamos á Los Angeles quase às 10 da manhã. Eu estava exausto. Estacionei no meio da rua, pois os dois lados da calçada estavam tomados pelos carros da CIA. Nenhum de nós queria sair do carro, ainda mais sabendo que Jane faria um escândalo. Respiramos fundo e saltamos do carro. Mal entramos em casa e Jane começou com os berros.

- O que estavam fazendo?! Onde estava?! O que houve?! Qual o problema de vocês?!

-Relaxa... –Preferi nem continuar depois de ver a cara dela, mas Krisher não pensou a mesma coisa, ou melhor, não pensou!

-Nós fomos pro México, ai brigamos com uns caras e tivemos que ficar com o carro deles porque nossa gasolina acabou. E ai, alguém tem noticias da Sarin? –Kate prendeu o riso enquanto trazia uns curativos, eu só fechei e sentei no sofá esperando a bronca do meu pai.

-Daniel Longbutton! Você abandonou meu carro no meio do México?!

-No meio não! A gasolina só durou até a Ensenada! –Nessa hora torci para que Krisher se engasgasse com o sanduíche que alguém deu pra ele, ou que os curativos desse alergia, sei lá!

-Daniel! –Meu pai e Jane agora gritavam comigo juntos, até parece que a idéia foi minha.

-Vocês deviam parar de brigar comigo e se concentrar em algo mais importante, como a Sarin e a Tay! –Gritei e Jane retrucou.

-Pois temos novidades pra você garoto. Enquanto você e o Krisher brincavam de “caça ao rato” nós descobrimos o cativeiro delas e...

-Por que ainda não a trouxeram?! Estão esperando o que?!

-Cala a boca Daniel! Deixa a Jane terminar! –Kate finalmente se manifestou sentando-se no braço do sofá enquanto Jane dava sua explicação.

-Não a resgatamos porque o cativeiro é o covil das violets. Seria burrice invadirmos sem conhecer o inimigo. Temos dois agentes infiltrados colhendo e nos enviando informações e Rullinê está fazendo a ronda e montando guarda para qualquer movimentação suspeita na casa. –Kate me entregou dois blocos contendo os relatórios sobre defesa, armas e as condições de Tay e Sarin. Pelo visto eles tinham ótimo treinamento, armas e vigilância, Tay e Sarin eram mantidas separadas e vigiadas 24 horas por dia, as condições de higiene e alimentação eram adequadas, mas nada disso importava.

-Você tem todas as informações de que precisa, traga elas de volta! –Falei a Jane, ela suspirou.

-Estamos trabalhando nisso. Temos que fazer de uma forma que elas não corram riscos! Ou prefere invadir de qualquer jeito e acabar tendo que ir ao enterro de mais alguém?! –Agora ela pegou pesado. Senti meu rosto vermelho com as lembranças da morte de minha mãe e abaixei a cabeça cerrando os punhos. –Eu não queria dizer isso Daniel...

-Não. Está certa. Vamos fazer do seu jeito. -Passamos o resto do dia estudando as melhores estratégias pro resgate delas. E quando eram quase 3 da manhã abriram a porta de surpresa, todos olhamos nossas visitantes inesperadas, porem muito bem vindas.

-Sarin! –Corri pra abraçar minha esposa e nossa filha em seus braços.

-Daniel! Ai, amor... –Tay chorava enquanto eu beijava Sarin e abraçava-as, peguei Tay no colo e beijei sua cabeça enquanto os outros falavam com Sarin e Rullinê, que acabará de chegar.

-Dan, a Sarin parece muito nervosa. Todas essas perguntas que querem fazer não vão ajudar. É melhor levá-la pro quarto, deixa a Tay comigo e daqui a uma meia hora eu a levo.

-OK. Valeu Kate, você é um anjo. –Dei um beijo na bochecha de Kate entregando-lhe Tay e fui buscar Sarin antes que o interrogatório começasse. -Vem amor. Acho que você precisa dormir. –Puxei-a para meus braços e a levei pro quarto fechando a porta atrás de nós.

-Senti tanto sua falta! Eu estava com medo. –Disse ela abraçando-me.

-Eu também amor. –Acariciei seus cabelos enquanto ela começava a falar entre lagrimas.

-Ele me ajudou tanto e agora está morto, eu vi quando ele caiu depois do tiro... Mas eu não podia voltar, não podia ajudá-lo, tinha que me afastar, que tirar Tay dali. Foi ele quem me ajudou a fugir com a Tay. O Victor. Sem ele eu poderia estar lá ainda... Daniel! –Ela agora apenas chorava então beijei-a.

-Calma amor. Agora está tudo bem. Vem, nós precisamos de um banho. Eu to cheio de poeira do México.

-Eu vou explicar. Foi culpa do Krisher... –Comecei a contar tudo intercalado com os beijos enquanto íamos para o banheiro.

Depois de algumas horas estávamos na cama e Sarin dormia tranqüila sobre meu peito. Kate bateu levemente na porta.

-Posso? Vem trazer a Tay.

-Entra Kate. A Sarin já dormiu. –Kate entrou e eu fui pegar a Tay.

-Como ela está? –Disse ela me entregando Tay.

-Ela estava muito agitada, mas já dormiu a uns 5 minutos.

-Hmm.

-Kate. Victor era um dos nossos?

-Não. Ele era o Violet encarregado da Sarin. Foi morto na fuga. Por quê?

-Sarin estava falando dele.

-E você ficou com ciúmes! –Disse ela rindo.

-Nossa, parece que você não cora mais quando me vê sem camisa né?! –Revidei me aproximando, só de brincadeira, claro.

-Idiota. –Ela empurrou meu ombro de leve e saiu correndo depois de corar. Eu ri e sentei com Tay em uma cadeira perto da janela.

-Não ligue pra esse seu pai bobo ta?! Nem pra sua madrinha irritante, seu tio burro, seus avós loucos... Você entendeu né Tay. –Ela pareceu sorrir. –Eu te amo muito. Não vou deixar ninguém te ferir nunca, e se fizerem isso eu mato! Vou me dedicar mais pra cuidar de vocês duas. Porque vocês são as pessoas mais importantes na minha vida. Meus amores.

Cap 10 - Sarin


Minha cabeça está doendo. Não lembro o que aconteceu. Daniel...

-Será que ela vai acordar? –Ouvi uma mulher dizer.

-Claro que vai. –Respondeu a outra.

-E onde está a criança?

-Ai Marrie. Vem que eu te mostro. Victor assim que ela acordar me chame.

-Sim. –Respondeu uma voz masculina.

Escutei o barulho da porta batendo e abri os olhos lentamente. Eu estava num pequeno quarto escuro iluminado apenas por uma vela, ainda vestia as mesmas roupas de depois do casamento e estava deitada em uma cama de solteiro. Perto da porta um homem alto com os cabelos mel, que reconheci como Victor estava sentado em uma cadeira. Ele levantou-se e agachou-se a meu lado.

-Vou te ajudar a sair dessa. –Disse ele em meu ouvido.

-Obrigada. O que aconteceu depois...

-Daniel atirou em Marrie, mas pegou só no braço e Jonh foi atingido de raspão. Nós fugimos prá cá quando a CIA tomou o lugar.

-E minha filha?

-No outro quarto. Acalme-se que eu sei como tirá-las daqui. –Um pequeno sorriso surgiu no canto de seus lábios.

Já fazia dois dias que eu estava trancada naquele quarto vendo Tay apenas na hora de amamentar. Eu realmente odiava aquele lugar e me sentia muito desconfortável com Victor vigiando “tudo”.

Nosso plano estava pronto, agora era só esperar a hora certa. Devia ser mais ou menos meia noite quando fui acordada por Victor.

-Está na hora. Ale está dormindo. –Levantei e fui com ele até o quarto da Tay, minha filha dormia no pequeno berço, eu a peguei e corri com ela dali.

-Obrigada. –Disse a ele enquanto este abria o portão pra rua.

-A honra é minha. –Disse ele. Sorri.

-Surpresa! –Disse Ale carregando a arma já apontada na nossa direção.

-Foge! –Gritou Victor empurrando-me pra fora e fechando o portão. Comecei a correr e ouvi três tiros serem disparados. Tay acordou com o barulho e começou a chorar em meus braços, eu corria o mais rápido que podia. Parei em uma praça e sentei chorando em um banco enquanto tentava acalmar Tay.

Depois de uns minutos sentada ali consegui fazer Tay voltar a dormir e ouvi um carro freando atrás de mim, olhei-o.

-Não fiquei ai parada! Entre logo na droga do carro! –Demorei 1 minuto para entender que quem gritava comigo de dentro de um Chevrolet Bel Air era Rullinê. Entrei no carro sem acreditar e ela acelerou.

-Co-Como você conseguiu esse carro?

-Não é só você que arranja um marido rico. Tudo bem que eu não quis me casar, mas é divertido destruir os carros dele, ele sempre compra outro. Esse daqui eu comprei aqui, ainda nem saiu na Rússia. –Disse ela sorrindo.

Olhei suas feições. Era tão diferente de mim, todos da família eram. Ela tinha longos cabelos negros e olhos castanhos. Como não percebi isso antes?

-Sarin... Tudo bem?

-Sim. –Disse desviando o olhar.

-Serio? Você parece meio... Distante.

-Você já sabe que não é minha irmã? –Disse voltando a chorar.

-Sim. –Murmurou ela.

-Eu... –Não sei o que dizer então me calei.

-Você sempre será minha irmã Sarin. Mesmo que “essazinha” diga outra coisa. –Rullinê buzinou bem alto despertando Tay. Ri acalmando minha filha. –Agora... Cá entre nós... O seu marido não é de se jogar fora. Ele é um Deus grego! Aquilo sim é um cunhado! Uhu! –Disse ela abanando-se.

-Eu sei. Eu sei. –Disse rindo alto.

-Outra coisa. É melhor se preparar. Sua casa está infestada de agentes da CIA.

-O que eles fazem lá? –Perguntei tímida e assustada.

-Você foi seqüestrada. O que acha que eles fazem lá?! Sua fulga não havia sido planejada. Não pra hoje pelo menos. –Me encolhi no carro. Minha vontade era sumir.

-É Tay, parece que todos ficaram preocupados. –Disse abraçando minha filhinha.

Daniel’s POV

Que droga! Como aquelas pessoas entraram aqui?! Como quase 100 agentes não foram capazes de impedir o sequestro da minha esposa e filha?! Eu juro que se aquelas duas machucarem um membro da minha família de novo eu as mato!

-Já faz mais de 24 horas! Como não sabem onde elas estão? –Bando de incompetentes! O que estão fazendo que ainda não as acharam?!

-Calma Daniel! Estamos fazendo de tudo para encontrá-las, mas Marrie e Alessandra foram treinadas para nos desafiar! –Disse meu pai.

-Pouco me importa o treinamento delas! Eu quero a Sarin e a Tay aqui agora!

-Chega Daniel! –Disse Jane quase voando no meu pescoço. Eu ia responder quando Kate levantou-se batendo na mesa.

-Cale-se Daniel Longbutton! Estamos fazendo tudo o que podemos aqui! Todos tememos por elas, mas estamos de mãos atadas. –Ela suspirou e virou-se para o senhor Guerguiev. –Elas foram muito bem treinadas. –Ele se encolheu no sofá desviando o olhar. Respirei fundo e me sentei. Kate e Krisher voltaram da Lua de mel assim que souberam do seqüestro e agora estavam ajudando a procurar pistas, etc.

Todos estávamos concentrados em nossas atividades até Krisher chutar a porta, é obvio que o idiota machucou o pé, pois a porta abre pra dentro! Depois ele a abriu da forma certa.

-O que é que você está fazendo?! –Pergunta Jane já irritada.

-Não estamos conseguindo nada aqui. Eu vou procurá-las.

-Você sabe o tamanho de Los Angeles?! –Perguntei.

-Não me importa! Minha irmã e afilhada estão lá fora, sua esposa e filha! Eu vou procurar por todo o continente se for preciso! –Nunca pensei que fosse dizer isso, mas o idiota de Krisher está certo. Peguei a chave do carro do meu pai sem dizer nada e fui atrás do Krisher.

cap 9 - Sarin


Chegamos em casa com Daniel e Jonh brigando sobre o porque de Kate ter jogado o buquê pra Tay. Ri durante todo o percurso.

Meus pais ficariam nos EUA por pouco tempo então foram jantar lá em casa conosco. Mamãe insistiu em cozinhar mesmo Jane tentando nos convencer a comprar comida, afinal ela teria de ajudar mamãe.

Todos chegamos em casa felizes e sorridentes, mas logo a felicidade acabou, as pessoas que eu menos queria ver estavam lá : Alessandra e Marrie. Daniel sem dizer nada foi pra cima de Marri com os punhos cerrados, ela tentou se livrar dele, porem não conseguiu. A briga só acabou com a fala de Alessandra.


-É melhor vocês pararem, ou eu atiro. -Disse apontando a arma pra cabeça de Daniel que virou-se pra ela.


-O que fazem aqui? -Disse Jonh quebrando o silencio que havia se instalado ali.


-Ela eu não sei, mas eu tenho assuntos a resolver. -Diz Alessandra sem desviar o olhar de Daniel.


-Saia daqui! -Ordenou meu pai fazendo Alessandra virar-se pra ele.


-E se eu não quiser.

-Não estou nem ai. -Diz Dan aproveitando a distração de Alessandra para carregar a arma.


-Vamos parar com isso...



-Não. Você matou minha mãe, acho que tenho o direito de me vingar. -Diz Daniel sem deixar Marrie falar e apontando a arma pra ela com um sorriso de deboche no rosto.


-Não estamos aqui para falar sobre mortes. Eu só quero divulgar a verdade sobre meu amante. -Todos olhamos pra Alessandra sem entender nada.


-Como é? -Pergunta Jane finalmente.


-Vou explicar. -Alessandra senta-se no sofá passando a mão livre pelo cabelo.


-Não! -Disse meu pai furioso avançando um passo.


-A verdade prevalece querido. -Diz ela piscando pro meu pai remexendo a arma na mão. -Sarin. Eu sou sua verdadeira mãe.


Senti minhas pernas bambas, tudo parecia desabar a meu redor, todas as desculpas dadas para justificar a cor de meus olhos.. Apenas mentiras.


Aquela não era minha mãe, não podia ser! Uma lagrima escorreu de meu olho, limpei-a com força. Ela não merecia minhas lagrimas. Ouvi o choro de minha mãe, Michenne.


-Desculpe. -Disse ela secando as lagrimas atrás de mim. "Ale" como uma abobalhada levantou-se abrindo os braços me esperando. Entreguei Tay a Jane e me aproximei de Ale. Ouvi Jonh cochichar algo pra Jane, mas não dei atenção.


-Minha filha.


-Olá "mamãe" -Disse ironicamente. E dei-lhe um tapa forte no rosto me afastando em seguida sentindo minha mão arder.


-Isso que dá ser criada por uma maluca como a Michenne. -Disse ela massageando o rosto vermelho.


-Não fale assim dela! Você nunca foi e nunca será minha mãe! Nunca! Não acredito que sou filha de... De... Você! Mãe é aquela que cuida da filha durante toda a vida e se dedica a ela. Você não fez isso! E mãe... -Olhei pra minha mãe. -Por que não me contou a verdade? Eu ia entender... Mas isso não é sua culpa. -Olhei pra meu pai com fúria, dando as costas pra Ale, que colocou a arma na minha cabeça.


-Sou sua mãe e pronto. Eu faço o que bem entender. Não tive você porque quis, foi tudo parte de um plano . Em troca do meu corpo recebi uma entrada pra CIA, você foi apenas o resultado disso. O que eu poderia fazer? Trocamos qualquer coisa pelos nossos sonhos. -Ela carregou a arma ainda encostada em minha cabeça. -E o meu sonho agora é acabar com o que não tive coragem no passado.


Daniel também carregou a arma e apontou-a para Ale enquanto Jonh e Jane repetiam o gesto apontando as armas pra Marrie, está apontou sua arma pra Daniel.


-Se atirar morre. -Disse Daniel com os olhos fixos em mim. Ale riu sarcasticamente.


-Você se acha demais moleque. Não me importa o que tenha que fazer. Vou conseguir o que quero e preparei todo um batalhão pra isso. -A porta da casa foi arrombada. -Conheçam os Violets.


Daniel avançou um passo e Marrie atirou.


-Deveria comprar óculos, Marrie. -Atiçou Jane após constatar que Marrie tinha errado o alvo. Marrie murmura algo que não entendo em resposta e os violets entram.


Eram 10 ao todo. 7 mulheres e 3 homens, todos vestidos de preto com um emblema violeta no peito. Como aquela mulher conseguiu entrar aqui com esse batalhão?! Só percebi quando Ale segurou meu braço com força ainda com a arma na minha cabeça que Dan tinha se aproximado mais de nós e mirava nela, porem com a mudança de posição ela me deixou entre os dois impedindo Dan de atirar.


-Eles estão ao meu comando, sabia que não seria tão fácil voltar com a minha filha e com a minha linda netinha pra Rússia. Então criei os violets. Diga Sarin não seria lindo morrer junto com sua filha em sua terra natal?! -Ale murmurou a última frase em meu ouvido me fazendo gelar.


Um homem dos violets com os cabelos e pele negros avançou um passo. Ele encarou alguma coisa com seus olhos amarelos impenetráveis. Olhei pra onde seu olhar mirava e vi que minha mãe estava com Tay nos braços. Me soltei de Ale e corri até minha filha segurando-a com força.


-Vocês são minhas. -Foi a última coisa que ouvi Ale dizer, depois um tiro foi disparado e outros o seguiram. Não sei de onde eles vinham, por algum motivo minha vista ficou embasada.


-Corra Sarin! -Corri ao ouvir a voz de Dan. Não sabia pra onde estava indo, apenas apertei Tay e corri. Desmaiei.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Cap bonus - Kate

16 de Abril de 1955 – Meu casamento!

Tudo estava perfeito, eu acho. Quem mandou deixar Daniel e Jane no comando?! Eu fui pro salão pela manhã pra fazer cabelo, unhas, maquiagem, os últimos ajustes do vestido... Tanta coisa. Jane iria ficar comigo e Sarin o dia todo, Daniel ia cuidar de Tay e dos preparativos (péssima idéia!) e Jonh cuidaria do Krisher. Jane e Jonh seriam meus padrinhos, Sarin minha dama de honra, e Tay junto com Daniel levariam as alianças.

No salão Sarin e eu riamos enquanto Jane dava ordens nos pobres cabeleireiros que pareciam tontos correndo de um lado paro outro.

-Calma Jane. Até parece que a noiva é você! – Disse eu rindo.

-Francamente Kate! É claro que estou ansiosa... Nunca imaginei que minha irmãzinha mais nova se casaria antes de mim.

-Certo, certo, mas acalme-se um pouco. Está me deixando nervosa. –Dei um meio sorriso, ela veio até mim e beliscou minha bochecha, eu detesto quando ela faz isso!

-Você está tão fofa! –Argh! Sorri pra ela. Quando Jane se virou, me voltei pra Sarin massageando a bochecha e fazendo careta, ela abafou uma risada.

Finalmente estava pronta, atrasada, mas pronta. Meu cabelo preso em roda caia em cachos amarronzados sobre os ombros, o véu não muito longo arrastava-se a minhas costas por pouco mais de meio metro, o vestido longo era bordado em cetim, vinha justo até a cintura e depois caia solto até o chão. A maquiagem era de um azul mais claro que o céu, as bochechas e boca rosadas me confundiam com uma boneca. O buquê de flores silvestres completava o visual.


Entrei na igreja ornamentada de braços dados com meu pai que não agüentava de emoção. A igreja estava lotada. Os pais de Krisher a seu lado no altar, Jane e Jonh no outro, os irmão dele, Sarin, Daniel e Tay nos primeiros bancos e nossos amigos no resto da igreja. Ao chegarmos ao altar meu pai beijou minha mão e a pôs por cima da de Krisher dizendo:

-Cuide bem da minha filhinha...

-Eu cuida...

-Se não fizer isso, mato você. A CIA existe por isso. –Ele sorriu junto com Daniel enquanto Krisher engolia em seco.

-Ele só está brincando. –Sussurrei enquanto sorria com Krisher no altar.

O casamento seguiu perfeito. No final as solteiras se amontoaram no meio da rua e eu contei até três da porta da igreja pra jogar o buquê. Sorri quando ele parou no colo de Tay, para desespero de Dan. É obvio que joguei-o lá de propósito, minha pequena afilhada se divertia com as flores. Eu e Krisher nos beijamos e de mãos dadas corremos pro carro com a chuva de arroz.

Nossa Lua de mel seria em Miami, só duraria alguns dias. Logo estaríamos em casa para irritar Dan e os outros de novo...

Cap 8 - Sarin


Minha vida não podia estar melhor exceto pelo fato de ter um “louco” querendo fugir comigo e com minha filha e dos meus pais não estarem ali comigo, me apoiando. Bateu certa tristeza por estar construindo uma família sem eles. Senti vontade de chorar, mas ao invés disso pensei que eles deveriam estar felizes, mas... E se não estivessem? Se estivessem preocupados comigo e com o Krisher? Decidi ligar pra eles.

Ligação on:

-Alô? –Atendeu alguém do outro lado.

-Oi. Gostaria de falar com Michenne.

-Só um momento. –Respondeu a voz que agora eu identificava como sendo de Rullinê.

-Alô? –Disse a voz que reconheci como a de minha mãe. Quase não consigo conter o choro.

-Mãe... -Filha?! Tudo bem? Como estão as coisas? Estava tão preocupada com você e com o seu irmão? Ele está ai? Onde você está?

-Calma mãe. Eu tenho uma novidade pra você. Sua neta nasceu ontem.

-Minha neta? Eu perdi o nascimento da minha netinha? Ai Sarin... Como ela é? –Diz minha mãe surpresa e feliz.

-Linda! Cabelos castanho claros, olhos azuis e muito pequena. Ela é linda e perfeita!

-Seu pai vai amar essa noticia!

-Mãe, como estão todos ai? –Silencio. –Mãe? Mãe! –Acho que a ligação caiu... Desliguei o telefone preocupada.

Ligação off

Daniel entrou no quarto e eu ainda estava preocupada.

-Oi, tudo bem? –Perguntou ele me beijando.

-Minha... Mãe... –Desmaiei.

Quando acordei Daniel estava a meu lado com Tay em seus braços.

-Oi. Diz “oi” pra mamãe Tay. –Sorri.

-Oi, meus amores. –Respondi beijando Daniel e pegando Tay para amamentá-la.

-O que houve antes de eu chegar amor?

-Não sei... –Na verdade eu sabia muito bem... Apenas não quis preocupar-lo.

2 semanas depois


Finalmente chegou o dia de ir pra casa. Eu odiava ficar parada, não tinha nada pra fazer naquele hospital e as duas semanas mais pareceram meses. Daniel e Jane vieram me buscar no inicio da tarde.

Depois de chegar em casa me sentei para amamentar Tay e depois fui colocá-la pra dormir. Ela tinha acabado de adormecer quando Kate entrou aos berros.

-Eu vou me casar! –Eu e ela gritamos de felicidade e começamos a pular. Daniel e Jonh sentados no sofá nos olhavam como se fossemos de outro mundo.

-Shh! –Diz Jane. –Tayane está dormindo. –Tarde demais pra ela avisar. Tay acordou e começou a chorar no colo de Jane que a entregou a mim.

-Quem foi o idiota que te pediu em casamento? –Disse Daniel debochando.

-Não foi nenhum idiota porque não foi você! –Diz ela dando língua, Daniel ameaçou revidar e eu prevendo a briga entreguei Tay pra ele e puxei Kate pra cozinha para podermos “conversar”.


Daniel’s POV

Era demais pra mim... Tudo aconteceu ao mesmo tempo, o nascimento de Tay, as ameaças de Still e agora o casamento de Kate! Quem diria que minha “irmãzinha” iria se casar com um... Um... O Krisher, meu cunhado, ou melhor, futuro cunhado.

Mas prefiro pensar em minha filha... Eu tinha que procurar outras filhas de agentes que fosse virar espiães para crescerem junto com ela. Iriam se tornar amigas, vigiá-la para que não se metesse com garotas pervertidas e principalmente mantê-la longe dos meninos!

-Daniel! Você não está pensando em outro plano louco para manter nossa filha longe dos meninos, né?! –Disse Sarin sentando a meu lado. Acho que eu estava distraído demais olhando Tay brincar com as próprias mãos que não vi Sarin se aproximar.

-Não. Jamais. Kate já foi? –Disse tentando mudar de assunto. Meu pai disfarçou o riso com uma tosse.

-Sim. Estou exausta, vou dormir.

-Tudo bem, depois eu vou. –Beijei-a e ela foi pro quarto. Depois de alguns minutos Jane e meu pai foram embora também.

Eu estava sem sono e ao que parece Tay também, ela ficou olhando pra minha cara e mexendo a cabeça como se quisesse dizer alguma coisa. Eu tinha tanta coisa em que pensar que não pude me conter.

-Quer ir passear com o papai? –Entendi o silencio da Tay como um sim, peguei a chave do carro, coloquei minha filha na cadeirinha, sentei no banco do motorista e acelerei minha nova Mercedes-Benz. Acelerei sem rumo, vendo as pessoas nas ruas e aconselhando Tay sobre os garotos certos e a idade certa pra namorar, aproximadamente uns 35 anos. OK, admito que estou exagerando um pouquinho, mas fazer o que se ela é linda como o pai?!

Já eram quase 10 horas quando resolvi voltar pra casa.

-Sarin?! –Procurei Sarin por toda parte, mas não a achei. Decidi ligar pra Kate.

Ligação on:

-Hello?!

-Kate?!

-Vai dormir Daniel!

-Jane! Deixa eu falar com a Kate!

-Kate!!!!

-O que você quer Daniel?!

-A Sarin sumiu!

-Como?

-Sumiu Kate! Eu simplesmente cheguei em casa e ela não estava! Sumiu!

-Tá, já entendi! E a Tay?

-Está comigo. Eu sai e levei-a comigo.

-Tô indo pra ai.

Ligação off


Kate chegou 5 minutos depois! Com uns 10 agentes atrás dela.

-Vamos?!

-Vamos! –Sentei ao volante e Kate segurou Tay.

Procuramos Sarin por toda parte e finalmente a encontramos em frente a um supermercado beijando o Still! Sai correndo na direção do “casalzinho” e atrapalhei o beijo.

-Sarin, você me deve explicações! –Quando eles viraram vi que não eram as pessoas que eu estava procurando. –Er... Desculpa ai. –Corri pra dentro do supermercado e dei uma trombada em Sarin fazendo-a cair no chão com sua caixa de suco de abobora.

-Ai!

-Oi amor. Desculpa! Você ta bem? –Perguntei ajudando-a a levantar.

-Estou... Por que você tava correndo desse jeito?!

-Tava te procurando. O que houve?

-Eu tava com vontade de beber suco de abobora e como você não estava em casa vim ao supermercado... –Saímos do mercado e os agentes carregaram as armas, Kate acenou de dentro do carro e ao receber o olhar fuzilante de Sarin se escondeu atrás de Tay.

-Tá tudo bem pessoal... –Os agentes abaixaram as armas e entraram nos carros Sarin me olhou com as mãos na cintura.

-Daniel Longbutton.

-Foi a Kate! Eu pensei que você tinha sido seqüestrada de novo, ai eu liguei pra ela e ela chegou lá em casa com os agentes. Desculpa! Desculpa. Desculpa!

-Vocês deviam parar de fazer isso.

-Você também - Ela sorriu, nós nos beijamos e fomos pra casa “tentar” ter uma noite de sono.