
-Isso não é demais Dan?! –Disse Sarin pulando no meu colo. Será que só eu lembro que levei um tiro?!
-Ai!
-Desculpa! –disse ela se afastando. –Mas não é demais?!
-Exatamente. De mais. –Me joguei no sofá com total desinteresse, mas acho que elas tinham animação por toda a família.
-Pera ai... Enjôo! – Kate pôs a mão na boca e correu pro banheiro. Sarin se jogou do meu lado no sofá.
-Você não parece tão animado. –Concluiu Sarin olhando-me.
-Sério?! Bem, eu tive intoxicação alimentar, Kate invadiu a nossa casa e me deu um tiro só porque estava grávida. Acredite, eu estou festejando por dentro.
-Ai Dan... Ela está feliz. Você não se lembra de quando descobriu que ia ser papai?!
-Não atirei em ninguém por isso. –Ela desconsiderou meu comentário.
-Ai Dan, como o Krisher deve estar?!
-Abobalhado como sempre. –Algo me fez pensar se ele sabia que gravidez significava que ele ia ser pai. Eu ri com o pensamento do Krisher tentando trocar fraldas.
-Do que está rindo Daniel?! –Pergunta Kate que tinha acabado de voltar.
-Eu estava imaginando o Krisher trocando fraldas! –ri.
-Você também não sabe trocar fraldas, espertinho! –Disse Kate rindo.
-Ela tem razão amor. –Sarin também riu. Elas acabaram com o meu humor. Tay começou a chorar. Ótima oportunidade de mostrar que sei cuidar de bebês.
-Deixa que eu vou. –Disse indo pro quarto da Tay e deixando as duas sem entender.
Cheguei ao quarto da Tay, uma explosão lilás. Tudo era lilás, as paredes, as roupas de cama, a cortina fina, o pano que caia sobre o berço, e no meio de toda aquela cor mãozinhas pequenas e agitadas se debatiam dentro do berço. Peguei minha pequena no colo.
-Shh... Calma. Papai vai cuidar de você. –O problema é que eu não sei como fazer isso! Certo. O que a Sarin faria?! Mamadeira.
-Tay! Vamos cozinhar. -Passei pela sala ninando a Tay e fui direto pra cozinha. Kate e Sarin me seguiam.
Problema: Eu só posso usar um braço! Fiz uma espécie de bercinho com os panos de prato em cima da pia, pus a Tay lá, botei o leite pra ferver e me distrai brincando de fazer cócegas na Tay.
-Daniel... Er... O leite... –Olhei pra Sarin com cara de tédio.
-O que tem o leite?! –Kate prendeu o riso e apontou para a panela.
-Olha! –Droga! O leite tinha fervido e estava derramando da chaleira. OK. Tudo sob controle. Botei o leite na mamadeira até a metade e completei com o leite frio (ouvi isso numa rádio). Antes de dar pra Tay experimentei no braço.
-Ai! –Dicas idiotas de programa de segunda categoria! O leite me queimou! Até a Tay pareceu rir de mim. Deixei o leite dentro d’água fria depois de lavar o braço.
-Viu Sarin. Descobrimos uma coisa que o “seu super-herói” não sabe fazer. –Disse Kate rindo, Sarin corou. Quando olhei pra Kate ela deu língua. Eu ia provar que podia cuidar da minha filha.
-Certo. Vamos apostar então. Eu vou cuidar da Tay por uma semana. Você e a Sarin podem ir fazer compras, ou sei lá. A Jane e meu pai vão julgar meu desempenho. Se eu for bem você faz o que eu quiser e se for mau você pede o que quiser.
-Feito! –Grita Kate aceitando o desafio. Apertamos as mãos e eu fui cuidar da Tay. Pus a mamadeira com o leite agora morno na sua boca e peguei no colo indo pro quarto dela.
-Kate, acho que ele ficou chateado. –Ouvi Sarin comentar. Apenas me sentei numa poltrona no quarto de Tay e dei-lhe a mamadeira.
-Você viu né Tay?! Elas acham que eu não sou capaz de cuidar de você, minha própria filha! Ela vai ver só. Eu vou ser o melhor pai do mundo! Mas voltando aquele papo sobre meninos, lembra... –Enquanto eu falava dos futuros pretendentes com quem minha filha não iria namorar ela me olhava com aqueles olhinhos azuis e lindos.
Depois que Tay adormeceu percebi que outro par de olhos estavam grudados em mim. Sarin estava parada na soleira da porta me observando.
-Também acha que não sei cuidar da Tay? –Disse colocando minha filha no berço.
-Claro que não amor. Acho você um pai maravilhoso. Só queria vê-lo cuidar da nossa filha. –Ela sorriu ficando a meu lado junto ao berço. Abracei-a e beijei seu rosto.
-Eu te amo. Amo as duas.
-Também te amo. –Disse ela. Beijei-a, dessa vez nos lábios e fomos pro nosso quarto, onde adormecemos abraçados.
No dia seguinte
Acordei com dor no braço, logo descobri o porquê. Sarin havia adormecido sobre meu braço machucado. Afastei-a cuidadosamente, mas ela acabou acordando.
-O que houve amor? –Disse ela sonolenta afundando ainda mais a cabeça no meu ombro. Prendi o grito e soquei o colchão.
-Meu... Braço. –Disse entre dentes. Ela se levantou na mesma hora.
-Desculpe! Desculpe! Eu esqueci! Te machuquei?!
-Ta tudo bem. –Me sentei com a mão no braço.
-Eu vou pegar seu remédio! –Avisou ela já saindo da cama.
-Não precisa! Sarin! –Ela fingiu não me ouvir e voltou com o comprimido e um copo de suco.
-Toma.
-Não quero. –Fiz bico e virei pro lado como uma criança.
-Daniel Longbutton! Tome seu remédio agora mesmo!
-Não preciso de remédio!
-E vai ficar sentindo dor?!
-É! –Ela suspirou.
-Daniel... Amor olhe pra mim. –Olhei-a. - Tome o seu remédio, por favor. –Fiz que não com a cabeça. –Por mim. –Ela deu um sorriso lindo. Revirei os olhos e engoli o comprimido e o suco fazendo careta.
-Feliz?! –Perguntei.
-Muito. –Ela me beijou deitando-se sobre mim, desta vez com cuidado. Tay começou a chorar e Sarin parou com os beijos.
-Já vou Tay. Já vou. –Disse levantando-me e indo preguiçosamente até o quarto da Tay. –Fraldas?! –Disse olhando-a se debater no berço. Peguei-a no colo e confirmei a suspeita da troca de fralda com o cheiro. É só lembrar do programa de rádio.

1º_ Colocá-la deitada na bancada do banheiro.
2º_ Segurar as pernas levantando-as e tirar a fralda.
3º_ Limpá-la com cuidado e carinho. –Como uma criança tão pequena faz tanto coco em uma noite?!-
4º_ Colocar o talco.
5º_ Colocar a fralda.
6º_ Colocar o alfinete, com cuidado! Repeti três vezes o 6º passo sem sucesso.
-É assim. Viu amor? Tente você. –Sarin colocou e tirou o alfinete. Depois eu consegui colocar do jeito certo.
-Obrigado amor. –Disse beijando-a.
Eu, Sarin, Jane, Tay, Krisher, Kate e meu pai almoçamos juntos no quintal, conversamos e rimos juntos a tarde toda. Depois contamos a Jane e a meu pai que eles seriam os juízes da minha aposta com Kate, e Jane ensinaria Sarin a cozinhar. Eu e Krisher apostamos quantas vezes ela ia queimar alguma coisa.
-Parem de rir, são vocês dois que vão provar as comidas dela! –Sentenciou Jane! Engoli em seco e Krisher se escondeu atrás de Kate.
-Não! Eu não posso ter intoxicação alimentar agora que vou ser papai! –Gritou. Todos rimos e passamos o resto do dia em festa.










