terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Cap 10 - Sarin


Minha cabeça está doendo. Não lembro o que aconteceu. Daniel...

-Será que ela vai acordar? –Ouvi uma mulher dizer.

-Claro que vai. –Respondeu a outra.

-E onde está a criança?

-Ai Marrie. Vem que eu te mostro. Victor assim que ela acordar me chame.

-Sim. –Respondeu uma voz masculina.

Escutei o barulho da porta batendo e abri os olhos lentamente. Eu estava num pequeno quarto escuro iluminado apenas por uma vela, ainda vestia as mesmas roupas de depois do casamento e estava deitada em uma cama de solteiro. Perto da porta um homem alto com os cabelos mel, que reconheci como Victor estava sentado em uma cadeira. Ele levantou-se e agachou-se a meu lado.

-Vou te ajudar a sair dessa. –Disse ele em meu ouvido.

-Obrigada. O que aconteceu depois...

-Daniel atirou em Marrie, mas pegou só no braço e Jonh foi atingido de raspão. Nós fugimos prá cá quando a CIA tomou o lugar.

-E minha filha?

-No outro quarto. Acalme-se que eu sei como tirá-las daqui. –Um pequeno sorriso surgiu no canto de seus lábios.

Já fazia dois dias que eu estava trancada naquele quarto vendo Tay apenas na hora de amamentar. Eu realmente odiava aquele lugar e me sentia muito desconfortável com Victor vigiando “tudo”.

Nosso plano estava pronto, agora era só esperar a hora certa. Devia ser mais ou menos meia noite quando fui acordada por Victor.

-Está na hora. Ale está dormindo. –Levantei e fui com ele até o quarto da Tay, minha filha dormia no pequeno berço, eu a peguei e corri com ela dali.

-Obrigada. –Disse a ele enquanto este abria o portão pra rua.

-A honra é minha. –Disse ele. Sorri.

-Surpresa! –Disse Ale carregando a arma já apontada na nossa direção.

-Foge! –Gritou Victor empurrando-me pra fora e fechando o portão. Comecei a correr e ouvi três tiros serem disparados. Tay acordou com o barulho e começou a chorar em meus braços, eu corria o mais rápido que podia. Parei em uma praça e sentei chorando em um banco enquanto tentava acalmar Tay.

Depois de uns minutos sentada ali consegui fazer Tay voltar a dormir e ouvi um carro freando atrás de mim, olhei-o.

-Não fiquei ai parada! Entre logo na droga do carro! –Demorei 1 minuto para entender que quem gritava comigo de dentro de um Chevrolet Bel Air era Rullinê. Entrei no carro sem acreditar e ela acelerou.

-Co-Como você conseguiu esse carro?

-Não é só você que arranja um marido rico. Tudo bem que eu não quis me casar, mas é divertido destruir os carros dele, ele sempre compra outro. Esse daqui eu comprei aqui, ainda nem saiu na Rússia. –Disse ela sorrindo.

Olhei suas feições. Era tão diferente de mim, todos da família eram. Ela tinha longos cabelos negros e olhos castanhos. Como não percebi isso antes?

-Sarin... Tudo bem?

-Sim. –Disse desviando o olhar.

-Serio? Você parece meio... Distante.

-Você já sabe que não é minha irmã? –Disse voltando a chorar.

-Sim. –Murmurou ela.

-Eu... –Não sei o que dizer então me calei.

-Você sempre será minha irmã Sarin. Mesmo que “essazinha” diga outra coisa. –Rullinê buzinou bem alto despertando Tay. Ri acalmando minha filha. –Agora... Cá entre nós... O seu marido não é de se jogar fora. Ele é um Deus grego! Aquilo sim é um cunhado! Uhu! –Disse ela abanando-se.

-Eu sei. Eu sei. –Disse rindo alto.

-Outra coisa. É melhor se preparar. Sua casa está infestada de agentes da CIA.

-O que eles fazem lá? –Perguntei tímida e assustada.

-Você foi seqüestrada. O que acha que eles fazem lá?! Sua fulga não havia sido planejada. Não pra hoje pelo menos. –Me encolhi no carro. Minha vontade era sumir.

-É Tay, parece que todos ficaram preocupados. –Disse abraçando minha filhinha.

Daniel’s POV

Que droga! Como aquelas pessoas entraram aqui?! Como quase 100 agentes não foram capazes de impedir o sequestro da minha esposa e filha?! Eu juro que se aquelas duas machucarem um membro da minha família de novo eu as mato!

-Já faz mais de 24 horas! Como não sabem onde elas estão? –Bando de incompetentes! O que estão fazendo que ainda não as acharam?!

-Calma Daniel! Estamos fazendo de tudo para encontrá-las, mas Marrie e Alessandra foram treinadas para nos desafiar! –Disse meu pai.

-Pouco me importa o treinamento delas! Eu quero a Sarin e a Tay aqui agora!

-Chega Daniel! –Disse Jane quase voando no meu pescoço. Eu ia responder quando Kate levantou-se batendo na mesa.

-Cale-se Daniel Longbutton! Estamos fazendo tudo o que podemos aqui! Todos tememos por elas, mas estamos de mãos atadas. –Ela suspirou e virou-se para o senhor Guerguiev. –Elas foram muito bem treinadas. –Ele se encolheu no sofá desviando o olhar. Respirei fundo e me sentei. Kate e Krisher voltaram da Lua de mel assim que souberam do seqüestro e agora estavam ajudando a procurar pistas, etc.

Todos estávamos concentrados em nossas atividades até Krisher chutar a porta, é obvio que o idiota machucou o pé, pois a porta abre pra dentro! Depois ele a abriu da forma certa.

-O que é que você está fazendo?! –Pergunta Jane já irritada.

-Não estamos conseguindo nada aqui. Eu vou procurá-las.

-Você sabe o tamanho de Los Angeles?! –Perguntei.

-Não me importa! Minha irmã e afilhada estão lá fora, sua esposa e filha! Eu vou procurar por todo o continente se for preciso! –Nunca pensei que fosse dizer isso, mas o idiota de Krisher está certo. Peguei a chave do carro do meu pai sem dizer nada e fui atrás do Krisher.

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