quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

cap 13 - Daniel


Era só o que faltava! Além de ter intoxicação alimentar e levar um tiro, agora a Sarin e a Kate estavam pulando e gritando igual loucas no meio da sala.

-Isso não é demais Dan?! –Disse Sarin pulando no meu colo. Será que só eu lembro que levei um tiro?!

-Ai!

-Desculpa! –disse ela se afastando. –Mas não é demais?!

-Exatamente. De mais. –Me joguei no sofá com total desinteresse, mas acho que elas tinham animação por toda a família.

-Pera ai... Enjôo! – Kate pôs a mão na boca e correu pro banheiro. Sarin se jogou do meu lado no sofá.

-Você não parece tão animado. –Concluiu Sarin olhando-me.

-Sério?! Bem, eu tive intoxicação alimentar, Kate invadiu a nossa casa e me deu um tiro só porque estava grávida. Acredite, eu estou festejando por dentro.

-Ai Dan... Ela está feliz. Você não se lembra de quando descobriu que ia ser papai?!

-Não atirei em ninguém por isso. –Ela desconsiderou meu comentário.

-Ai Dan, como o Krisher deve estar?!

-Abobalhado como sempre. –Algo me fez pensar se ele sabia que gravidez significava que ele ia ser pai. Eu ri com o pensamento do Krisher tentando trocar fraldas.

-Do que está rindo Daniel?! –Pergunta Kate que tinha acabado de voltar.

-Eu estava imaginando o Krisher trocando fraldas! –ri.

-Você também não sabe trocar fraldas, espertinho! –Disse Kate rindo.

-Ela tem razão amor. –Sarin também riu. Elas acabaram com o meu humor. Tay começou a chorar. Ótima oportunidade de mostrar que sei cuidar de bebês.

-Deixa que eu vou. –Disse indo pro quarto da Tay e deixando as duas sem entender.

Cheguei ao quarto da Tay, uma explosão lilás. Tudo era lilás, as paredes, as roupas de cama, a cortina fina, o pano que caia sobre o berço, e no meio de toda aquela cor mãozinhas pequenas e agitadas se debatiam dentro do berço. Peguei minha pequena no colo.

-Shh... Calma. Papai vai cuidar de você. –O problema é que eu não sei como fazer isso! Certo. O que a Sarin faria?! Mamadeira.

-Tay! Vamos cozinhar. -Passei pela sala ninando a Tay e fui direto pra cozinha. Kate e Sarin me seguiam.

Problema: Eu só posso usar um braço! Fiz uma espécie de bercinho com os panos de prato em cima da pia, pus a Tay lá, botei o leite pra ferver e me distrai brincando de fazer cócegas na Tay.

-Daniel... Er... O leite... –Olhei pra Sarin com cara de tédio.

-O que tem o leite?! –Kate prendeu o riso e apontou para a panela.

-Olha! –Droga! O leite tinha fervido e estava derramando da chaleira. OK. Tudo sob controle. Botei o leite na mamadeira até a metade e completei com o leite frio (ouvi isso numa rádio). Antes de dar pra Tay experimentei no braço.

-Ai! –Dicas idiotas de programa de segunda categoria! O leite me queimou! Até a Tay pareceu rir de mim. Deixei o leite dentro d’água fria depois de lavar o braço.

-Viu Sarin. Descobrimos uma coisa que o “seu super-herói” não sabe fazer. –Disse Kate rindo, Sarin corou. Quando olhei pra Kate ela deu língua. Eu ia provar que podia cuidar da minha filha.

-Certo. Vamos apostar então. Eu vou cuidar da Tay por uma semana. Você e a Sarin podem ir fazer compras, ou sei lá. A Jane e meu pai vão julgar meu desempenho. Se eu for bem você faz o que eu quiser e se for mau você pede o que quiser.

-Feito! –Grita Kate aceitando o desafio. Apertamos as mãos e eu fui cuidar da Tay. Pus a mamadeira com o leite agora morno na sua boca e peguei no colo indo pro quarto dela.

-Kate, acho que ele ficou chateado. –Ouvi Sarin comentar. Apenas me sentei numa poltrona no quarto de Tay e dei-lhe a mamadeira.

-Você viu né Tay?! Elas acham que eu não sou capaz de cuidar de você, minha própria filha! Ela vai ver só. Eu vou ser o melhor pai do mundo! Mas voltando aquele papo sobre meninos, lembra... –Enquanto eu falava dos futuros pretendentes com quem minha filha não iria namorar ela me olhava com aqueles olhinhos azuis e lindos.

Depois que Tay adormeceu percebi que outro par de olhos estavam grudados em mim. Sarin estava parada na soleira da porta me observando.

-Também acha que não sei cuidar da Tay? –Disse colocando minha filha no berço.

-Claro que não amor. Acho você um pai maravilhoso. Só queria vê-lo cuidar da nossa filha. –Ela sorriu ficando a meu lado junto ao berço. Abracei-a e beijei seu rosto.

-Eu te amo. Amo as duas.

-Também te amo. –Disse ela. Beijei-a, dessa vez nos lábios e fomos pro nosso quarto, onde adormecemos abraçados.

No dia seguinte

Acordei com dor no braço, logo descobri o porquê. Sarin havia adormecido sobre meu braço machucado. Afastei-a cuidadosamente, mas ela acabou acordando.

-O que houve amor? –Disse ela sonolenta afundando ainda mais a cabeça no meu ombro. Prendi o grito e soquei o colchão.

-Meu... Braço. –Disse entre dentes. Ela se levantou na mesma hora.

-Desculpe! Desculpe! Eu esqueci! Te machuquei?!

-Ta tudo bem. –Me sentei com a mão no braço.

-Eu vou pegar seu remédio! –Avisou ela já saindo da cama.

-Não precisa! Sarin! –Ela fingiu não me ouvir e voltou com o comprimido e um copo de suco.

-Toma.

-Não quero. –Fiz bico e virei pro lado como uma criança.

-Daniel Longbutton! Tome seu remédio agora mesmo!

-Não preciso de remédio!

-E vai ficar sentindo dor?!

-É! –Ela suspirou.

-Daniel... Amor olhe pra mim. –Olhei-a. - Tome o seu remédio, por favor. –Fiz que não com a cabeça. –Por mim. –Ela deu um sorriso lindo. Revirei os olhos e engoli o comprimido e o suco fazendo careta.

-Feliz?! –Perguntei.

-Muito. –Ela me beijou deitando-se sobre mim, desta vez com cuidado. Tay começou a chorar e Sarin parou com os beijos.

-Já vou Tay. Já vou. –Disse levantando-me e indo preguiçosamente até o quarto da Tay. –Fraldas?! –Disse olhando-a se debater no berço. Peguei-a no colo e confirmei a suspeita da troca de fralda com o cheiro. É só lembrar do programa de rádio.

1º_ Colocá-la deitada na bancada do banheiro.
2º_ Segurar as pernas levantando-as e tirar a fralda.
3º_ Limpá-la com cuidado e carinho. –Como uma criança tão pequena faz tanto coco em uma noite?!-
4º_ Colocar o talco.
5º_ Colocar a fralda.
6º_ Colocar o alfinete, com cuidado! Repeti três vezes o 6º passo sem sucesso.


-É assim. Viu amor? Tente você. –Sarin colocou e tirou o alfinete. Depois eu consegui colocar do jeito certo.

-Obrigado amor. –Disse beijando-a.

Eu, Sarin, Jane, Tay, Krisher, Kate e meu pai almoçamos juntos no quintal, conversamos e rimos juntos a tarde toda. Depois contamos a Jane e a meu pai que eles seriam os juízes da minha aposta com Kate, e Jane ensinaria Sarin a cozinhar. Eu e Krisher apostamos quantas vezes ela ia queimar alguma coisa.

-Parem de rir, são vocês dois que vão provar as comidas dela! –Sentenciou Jane! Engoli em seco e Krisher se escondeu atrás de Kate.

-Não! Eu não posso ter intoxicação alimentar agora que vou ser papai! –Gritou. Todos rimos e passamos o resto do dia em festa.

Cap 12 - Sarin

Finalmente estou em casa, graças a Rullinê. Dentre tantos agentes da CIA quem me salvou foi minha irmã, é quase impossível acreditar. Quero agradecer a Daniel por tudo, mas quero fazer isso de uma forma diferente... Vou aproveitar que todos já liberaram a nossa casa e vou fazer o nosso café da manhã especial!



Deixei Tay no berço depois de amamentá-la e fui pra cozinha. Liguei pra minha mãe e peguei os ingredientes. Mesmo ela insistindo que era melhor eu pedir pra alguém me ajudar fui cozinhar sozinha a “omelet a lá Sarin”! Ok. Primeiro o ovo, mas eu coloco ele todo ou tem que tirar a casca? Acho melhor usar todo, assim fica mais crocante. Agora Sal, mas onde fica o sal.



-Aqui. –Disse ao achar a vasilhinha escrito “sugar”. Coloquei três colheres pra ficar bem salgadinho e mexi os dois ovos na frigideira com óleo, bacon, azeite, manteiga e um pauzinho de canela picado. Depois de alguns minutos Daniel desceu.



-Oi amor! –Disse ele me dando um beijo no rosto enquanto eu desligava o fogo.

-Olha! Eu cozinhei pra você! –Disse segurando a frigideira com minha omelete crocante. Ele sentou-se na mesa com cara de preocupado.



-Pra... Mim?



-É! Prova! –Devia estar uma delicia porque ele comeu com tanta vontade que nem falou nada, então tive que perguntar. –E então? O que achou?



-Uma delicia! Nunca comi nada parecido! Delicioso! –Disse ele de boca cheia.

-Então. Você consegue saber o que é?



-É... É... Ser não identificado?



-Não! É uma omelete crocante! –Disse meio triste por ele não reconhecer o sabor.



-Eu sabia! –Ele gritou e saiu correndo pro banheiro. Suspirei depois do meu desastre culinário. Alguém bateu na porta e eu fui atender.



-Sarin! Vem comigo ao hospital? Não estou me sentindo bem e não quero ir sozinha com o Krisher! –Pediu Kate quase chorando.

-Certo. Só vou trocar de roupa e chamar o Dan.

-Dan?! -É... Eu fui... Esquece!


-OK. Vamos? –Depois de alguns minutos já estávamos a caminho do hospital.

Chegando lá Krisher foi com Daniel e eu com Tay e Kate, ela teve que fazer uma serie de exames e depois fomos encontrar com os meninos no carro.



- E... O que você tem? –Perguntei a Daniel quando entramos no carro.

-Nada. –Respondeu ele olhando pra rua pela janela.


-Intoxicação alimentar. –Respondeu Krisher prendendo o riso.

-De... Desculpe. –Disse timidamente mexendo na mantinha de Tay.

-Foi apenas uma dorzinha. Eu estou bem agora. –Disse ele me beijando fazendo Tay chorar no meu colo.

1 semana depois

Eu, Daniel e Tay já estávamos dormindo quando acordo com um estrondo na sala.

-Fique ai. –Disse Daniel se levantando enquanto pegava a arma em cima do criado mudo.

-Mas...

-Fique.

-OK. –Ele saiu do quarto com a arma em mãos. Escutei um tiro e desci correndo. Daniel sangrando no último degrau da escada.

-Daniel! –Alguém acende a luz e eu pude ver Kate AL lado de Daniel segurando a arma dela. –O que aconteceu?

-Eu... Eu... –Gagueja Kate.

-Você... Você?! –Falo nervosa.

-Atirei nele! –Gritou ela.

-Por que?! –Perguntei em pânico.

-Pensei...

-Pensou errado! –Gritou Daniel.

-Você nem sabe o que eu pensei! Pensei que fosse o Still!

-Você me confundiu com um maníaco, assassino, psicopata, idiota?! O que ele estaria fazendo na minha casa?! Ai!

-Não sei! Desculpa! Você prefere ir pra um hospital ou vai ficar ai gritando comigo?!

-Ai!

-Acho que isso é um sim! –Disse ajudando Daniel a levantar. Fomos pro hospital discutindo sobre as diferenças entre Daniel e Still.

Chegando ao hospital Daniel foi logo atendido e enquanto eu e Kate o esperávamos ligamos pro Jonh pra avisar o que tinha acontecido e dizer pra ele ir pegar a Tay nesse instante!

-O que é que você foi fazer lá em casa?! –Perguntei,

-Depois eu falo... Estou preocupada com o Dan.

-Sei...

-Kate Guerguiev! Você me deve uma! Um dia eu vou te dar um tiro no braço pra ver se você vai gostar! –Disse Daniel saindo da emergência com o braço enfaixado e uma tipóia prendendo este. Kate riu e fomos pra casa.

Quando chegamos a casa já estava amanhecendo, explicamos a Jonh mais ou menos o que tinha acontecido e ele voltou pra sua casa assim que Jane telefonou, provavelmente brigando com ele. Eu, Daniel e Kate ficamos conversando na sala.

-E ai Kate? –Perguntou Daniel de pé perto da porta.

-E ai o que?

-Pra quê todo aquele escândalo?! –Disse ele.

-A isso... Não foi culpa minha.

-Não imagina. Foi da Tay! –Disse Daniel.

-Não. Foi do bebê.

-Que bebê?! –Perguntamos eu e Daniel em uníssono.

-O meu. –Eu e Kate começamos a pular feito duas doidas.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Cap 11 - Daniel


Entramos no novo carro do meu pai, um Jaguar último modelo vermelho com motor modificado, a maquina chegava a quase 200 Km/h.

Não dizíamos nada, apenas rodávamos procurando algo “suspeito”. Já passava de meia noite quando paramos pela primeira vez, não por vontade, mas sim por falta de gasolina.

-Porcaria de lata velha! Ande seu pedaço de ferro velho! Ande! –Gritei com o carro pisando no acelerador inutilmente. Deixei minha cabeça bater no volante, desistindo do carro.

-O que vamos fazer Daniel? –Ele pergunta olhando a estrada.

-Não sei.

-Onde estamos?

-Não sei. –Respondi ainda com a cabeça no volante.

- O que vamos fazer?

-Eu não sei! –Disse me segurando pra não socar-lo.

-Olha. –Disse ele apontando pra um grupo de adolescentes bêbados amontoados em uma caminhonete velha que parou a nossa frente.

-Vem. Agente vai ganhar um carro. –Ele apenas saltou do carro junto comigo.

-O que dois mauricinhos como vocês fazem na Ensenada?! –Pergunta um poço de músculos em espanhol socando a mão enquanto os outros riam atrás dele.

-Estávamos dando uma volta, mas não é da conta de vocês. –Respondo também em espanhol. Os cinco idiotas nos cercaram rindo. Então outro deles fala continuando nosso dialogo em espanhol.

-Vocês estão se achando demais pra dois estadunidenses perdidos!

-Então estamos quites porque vocês estão com marra demais pra um bando de mexicanos babacas. –Agora eu deixei os caras com raiva. Eles vieram pra cima de mim e de Krisher, nós distribuímos alguns socos e chutes e levamos alguns também.

-Vamos acabar logo com isso! –Gritou Krisher pra mim em russo. Quebrei o nariz do cara a minha frente, dei-lhe uma banda e corri pra caminhonete, Krisher chutou a cara do outro e entrou no carro também.

-Cadê a chave?! –Gritamos juntos.

-Droga! –Ele saiu do carro e foi na direção do cara que estava de pé segurando a chave. O cara era gigantesco, os músculos pareciam montanhas, mas não parecia ter um cérebro... Bem, o Krisher também não tinha um e deve ter metade do tamanho e músculos do gigante. Vi um sinalizador no porta luvas e disparei pro alto sem pensar duas vezes. A luz vermelha distraiu o armário e Krisher deu-lhe uma voadora, pegando a chave do cara caído e voltando pro carro.

Dei ré em alta velocidade e depois girei o carro acelerando na estrada de terra. A caminhonete era antiga e chegava no Maximo a 80 Km/h, o que dificultou nossa “fuga”.

Chegamos á Los Angeles quase às 10 da manhã. Eu estava exausto. Estacionei no meio da rua, pois os dois lados da calçada estavam tomados pelos carros da CIA. Nenhum de nós queria sair do carro, ainda mais sabendo que Jane faria um escândalo. Respiramos fundo e saltamos do carro. Mal entramos em casa e Jane começou com os berros.

- O que estavam fazendo?! Onde estava?! O que houve?! Qual o problema de vocês?!

-Relaxa... –Preferi nem continuar depois de ver a cara dela, mas Krisher não pensou a mesma coisa, ou melhor, não pensou!

-Nós fomos pro México, ai brigamos com uns caras e tivemos que ficar com o carro deles porque nossa gasolina acabou. E ai, alguém tem noticias da Sarin? –Kate prendeu o riso enquanto trazia uns curativos, eu só fechei e sentei no sofá esperando a bronca do meu pai.

-Daniel Longbutton! Você abandonou meu carro no meio do México?!

-No meio não! A gasolina só durou até a Ensenada! –Nessa hora torci para que Krisher se engasgasse com o sanduíche que alguém deu pra ele, ou que os curativos desse alergia, sei lá!

-Daniel! –Meu pai e Jane agora gritavam comigo juntos, até parece que a idéia foi minha.

-Vocês deviam parar de brigar comigo e se concentrar em algo mais importante, como a Sarin e a Tay! –Gritei e Jane retrucou.

-Pois temos novidades pra você garoto. Enquanto você e o Krisher brincavam de “caça ao rato” nós descobrimos o cativeiro delas e...

-Por que ainda não a trouxeram?! Estão esperando o que?!

-Cala a boca Daniel! Deixa a Jane terminar! –Kate finalmente se manifestou sentando-se no braço do sofá enquanto Jane dava sua explicação.

-Não a resgatamos porque o cativeiro é o covil das violets. Seria burrice invadirmos sem conhecer o inimigo. Temos dois agentes infiltrados colhendo e nos enviando informações e Rullinê está fazendo a ronda e montando guarda para qualquer movimentação suspeita na casa. –Kate me entregou dois blocos contendo os relatórios sobre defesa, armas e as condições de Tay e Sarin. Pelo visto eles tinham ótimo treinamento, armas e vigilância, Tay e Sarin eram mantidas separadas e vigiadas 24 horas por dia, as condições de higiene e alimentação eram adequadas, mas nada disso importava.

-Você tem todas as informações de que precisa, traga elas de volta! –Falei a Jane, ela suspirou.

-Estamos trabalhando nisso. Temos que fazer de uma forma que elas não corram riscos! Ou prefere invadir de qualquer jeito e acabar tendo que ir ao enterro de mais alguém?! –Agora ela pegou pesado. Senti meu rosto vermelho com as lembranças da morte de minha mãe e abaixei a cabeça cerrando os punhos. –Eu não queria dizer isso Daniel...

-Não. Está certa. Vamos fazer do seu jeito. -Passamos o resto do dia estudando as melhores estratégias pro resgate delas. E quando eram quase 3 da manhã abriram a porta de surpresa, todos olhamos nossas visitantes inesperadas, porem muito bem vindas.

-Sarin! –Corri pra abraçar minha esposa e nossa filha em seus braços.

-Daniel! Ai, amor... –Tay chorava enquanto eu beijava Sarin e abraçava-as, peguei Tay no colo e beijei sua cabeça enquanto os outros falavam com Sarin e Rullinê, que acabará de chegar.

-Dan, a Sarin parece muito nervosa. Todas essas perguntas que querem fazer não vão ajudar. É melhor levá-la pro quarto, deixa a Tay comigo e daqui a uma meia hora eu a levo.

-OK. Valeu Kate, você é um anjo. –Dei um beijo na bochecha de Kate entregando-lhe Tay e fui buscar Sarin antes que o interrogatório começasse. -Vem amor. Acho que você precisa dormir. –Puxei-a para meus braços e a levei pro quarto fechando a porta atrás de nós.

-Senti tanto sua falta! Eu estava com medo. –Disse ela abraçando-me.

-Eu também amor. –Acariciei seus cabelos enquanto ela começava a falar entre lagrimas.

-Ele me ajudou tanto e agora está morto, eu vi quando ele caiu depois do tiro... Mas eu não podia voltar, não podia ajudá-lo, tinha que me afastar, que tirar Tay dali. Foi ele quem me ajudou a fugir com a Tay. O Victor. Sem ele eu poderia estar lá ainda... Daniel! –Ela agora apenas chorava então beijei-a.

-Calma amor. Agora está tudo bem. Vem, nós precisamos de um banho. Eu to cheio de poeira do México.

-Eu vou explicar. Foi culpa do Krisher... –Comecei a contar tudo intercalado com os beijos enquanto íamos para o banheiro.

Depois de algumas horas estávamos na cama e Sarin dormia tranqüila sobre meu peito. Kate bateu levemente na porta.

-Posso? Vem trazer a Tay.

-Entra Kate. A Sarin já dormiu. –Kate entrou e eu fui pegar a Tay.

-Como ela está? –Disse ela me entregando Tay.

-Ela estava muito agitada, mas já dormiu a uns 5 minutos.

-Hmm.

-Kate. Victor era um dos nossos?

-Não. Ele era o Violet encarregado da Sarin. Foi morto na fuga. Por quê?

-Sarin estava falando dele.

-E você ficou com ciúmes! –Disse ela rindo.

-Nossa, parece que você não cora mais quando me vê sem camisa né?! –Revidei me aproximando, só de brincadeira, claro.

-Idiota. –Ela empurrou meu ombro de leve e saiu correndo depois de corar. Eu ri e sentei com Tay em uma cadeira perto da janela.

-Não ligue pra esse seu pai bobo ta?! Nem pra sua madrinha irritante, seu tio burro, seus avós loucos... Você entendeu né Tay. –Ela pareceu sorrir. –Eu te amo muito. Não vou deixar ninguém te ferir nunca, e se fizerem isso eu mato! Vou me dedicar mais pra cuidar de vocês duas. Porque vocês são as pessoas mais importantes na minha vida. Meus amores.

Cap 10 - Sarin


Minha cabeça está doendo. Não lembro o que aconteceu. Daniel...

-Será que ela vai acordar? –Ouvi uma mulher dizer.

-Claro que vai. –Respondeu a outra.

-E onde está a criança?

-Ai Marrie. Vem que eu te mostro. Victor assim que ela acordar me chame.

-Sim. –Respondeu uma voz masculina.

Escutei o barulho da porta batendo e abri os olhos lentamente. Eu estava num pequeno quarto escuro iluminado apenas por uma vela, ainda vestia as mesmas roupas de depois do casamento e estava deitada em uma cama de solteiro. Perto da porta um homem alto com os cabelos mel, que reconheci como Victor estava sentado em uma cadeira. Ele levantou-se e agachou-se a meu lado.

-Vou te ajudar a sair dessa. –Disse ele em meu ouvido.

-Obrigada. O que aconteceu depois...

-Daniel atirou em Marrie, mas pegou só no braço e Jonh foi atingido de raspão. Nós fugimos prá cá quando a CIA tomou o lugar.

-E minha filha?

-No outro quarto. Acalme-se que eu sei como tirá-las daqui. –Um pequeno sorriso surgiu no canto de seus lábios.

Já fazia dois dias que eu estava trancada naquele quarto vendo Tay apenas na hora de amamentar. Eu realmente odiava aquele lugar e me sentia muito desconfortável com Victor vigiando “tudo”.

Nosso plano estava pronto, agora era só esperar a hora certa. Devia ser mais ou menos meia noite quando fui acordada por Victor.

-Está na hora. Ale está dormindo. –Levantei e fui com ele até o quarto da Tay, minha filha dormia no pequeno berço, eu a peguei e corri com ela dali.

-Obrigada. –Disse a ele enquanto este abria o portão pra rua.

-A honra é minha. –Disse ele. Sorri.

-Surpresa! –Disse Ale carregando a arma já apontada na nossa direção.

-Foge! –Gritou Victor empurrando-me pra fora e fechando o portão. Comecei a correr e ouvi três tiros serem disparados. Tay acordou com o barulho e começou a chorar em meus braços, eu corria o mais rápido que podia. Parei em uma praça e sentei chorando em um banco enquanto tentava acalmar Tay.

Depois de uns minutos sentada ali consegui fazer Tay voltar a dormir e ouvi um carro freando atrás de mim, olhei-o.

-Não fiquei ai parada! Entre logo na droga do carro! –Demorei 1 minuto para entender que quem gritava comigo de dentro de um Chevrolet Bel Air era Rullinê. Entrei no carro sem acreditar e ela acelerou.

-Co-Como você conseguiu esse carro?

-Não é só você que arranja um marido rico. Tudo bem que eu não quis me casar, mas é divertido destruir os carros dele, ele sempre compra outro. Esse daqui eu comprei aqui, ainda nem saiu na Rússia. –Disse ela sorrindo.

Olhei suas feições. Era tão diferente de mim, todos da família eram. Ela tinha longos cabelos negros e olhos castanhos. Como não percebi isso antes?

-Sarin... Tudo bem?

-Sim. –Disse desviando o olhar.

-Serio? Você parece meio... Distante.

-Você já sabe que não é minha irmã? –Disse voltando a chorar.

-Sim. –Murmurou ela.

-Eu... –Não sei o que dizer então me calei.

-Você sempre será minha irmã Sarin. Mesmo que “essazinha” diga outra coisa. –Rullinê buzinou bem alto despertando Tay. Ri acalmando minha filha. –Agora... Cá entre nós... O seu marido não é de se jogar fora. Ele é um Deus grego! Aquilo sim é um cunhado! Uhu! –Disse ela abanando-se.

-Eu sei. Eu sei. –Disse rindo alto.

-Outra coisa. É melhor se preparar. Sua casa está infestada de agentes da CIA.

-O que eles fazem lá? –Perguntei tímida e assustada.

-Você foi seqüestrada. O que acha que eles fazem lá?! Sua fulga não havia sido planejada. Não pra hoje pelo menos. –Me encolhi no carro. Minha vontade era sumir.

-É Tay, parece que todos ficaram preocupados. –Disse abraçando minha filhinha.

Daniel’s POV

Que droga! Como aquelas pessoas entraram aqui?! Como quase 100 agentes não foram capazes de impedir o sequestro da minha esposa e filha?! Eu juro que se aquelas duas machucarem um membro da minha família de novo eu as mato!

-Já faz mais de 24 horas! Como não sabem onde elas estão? –Bando de incompetentes! O que estão fazendo que ainda não as acharam?!

-Calma Daniel! Estamos fazendo de tudo para encontrá-las, mas Marrie e Alessandra foram treinadas para nos desafiar! –Disse meu pai.

-Pouco me importa o treinamento delas! Eu quero a Sarin e a Tay aqui agora!

-Chega Daniel! –Disse Jane quase voando no meu pescoço. Eu ia responder quando Kate levantou-se batendo na mesa.

-Cale-se Daniel Longbutton! Estamos fazendo tudo o que podemos aqui! Todos tememos por elas, mas estamos de mãos atadas. –Ela suspirou e virou-se para o senhor Guerguiev. –Elas foram muito bem treinadas. –Ele se encolheu no sofá desviando o olhar. Respirei fundo e me sentei. Kate e Krisher voltaram da Lua de mel assim que souberam do seqüestro e agora estavam ajudando a procurar pistas, etc.

Todos estávamos concentrados em nossas atividades até Krisher chutar a porta, é obvio que o idiota machucou o pé, pois a porta abre pra dentro! Depois ele a abriu da forma certa.

-O que é que você está fazendo?! –Pergunta Jane já irritada.

-Não estamos conseguindo nada aqui. Eu vou procurá-las.

-Você sabe o tamanho de Los Angeles?! –Perguntei.

-Não me importa! Minha irmã e afilhada estão lá fora, sua esposa e filha! Eu vou procurar por todo o continente se for preciso! –Nunca pensei que fosse dizer isso, mas o idiota de Krisher está certo. Peguei a chave do carro do meu pai sem dizer nada e fui atrás do Krisher.

cap 9 - Sarin


Chegamos em casa com Daniel e Jonh brigando sobre o porque de Kate ter jogado o buquê pra Tay. Ri durante todo o percurso.

Meus pais ficariam nos EUA por pouco tempo então foram jantar lá em casa conosco. Mamãe insistiu em cozinhar mesmo Jane tentando nos convencer a comprar comida, afinal ela teria de ajudar mamãe.

Todos chegamos em casa felizes e sorridentes, mas logo a felicidade acabou, as pessoas que eu menos queria ver estavam lá : Alessandra e Marrie. Daniel sem dizer nada foi pra cima de Marri com os punhos cerrados, ela tentou se livrar dele, porem não conseguiu. A briga só acabou com a fala de Alessandra.


-É melhor vocês pararem, ou eu atiro. -Disse apontando a arma pra cabeça de Daniel que virou-se pra ela.


-O que fazem aqui? -Disse Jonh quebrando o silencio que havia se instalado ali.


-Ela eu não sei, mas eu tenho assuntos a resolver. -Diz Alessandra sem desviar o olhar de Daniel.


-Saia daqui! -Ordenou meu pai fazendo Alessandra virar-se pra ele.


-E se eu não quiser.

-Não estou nem ai. -Diz Dan aproveitando a distração de Alessandra para carregar a arma.


-Vamos parar com isso...



-Não. Você matou minha mãe, acho que tenho o direito de me vingar. -Diz Daniel sem deixar Marrie falar e apontando a arma pra ela com um sorriso de deboche no rosto.


-Não estamos aqui para falar sobre mortes. Eu só quero divulgar a verdade sobre meu amante. -Todos olhamos pra Alessandra sem entender nada.


-Como é? -Pergunta Jane finalmente.


-Vou explicar. -Alessandra senta-se no sofá passando a mão livre pelo cabelo.


-Não! -Disse meu pai furioso avançando um passo.


-A verdade prevalece querido. -Diz ela piscando pro meu pai remexendo a arma na mão. -Sarin. Eu sou sua verdadeira mãe.


Senti minhas pernas bambas, tudo parecia desabar a meu redor, todas as desculpas dadas para justificar a cor de meus olhos.. Apenas mentiras.


Aquela não era minha mãe, não podia ser! Uma lagrima escorreu de meu olho, limpei-a com força. Ela não merecia minhas lagrimas. Ouvi o choro de minha mãe, Michenne.


-Desculpe. -Disse ela secando as lagrimas atrás de mim. "Ale" como uma abobalhada levantou-se abrindo os braços me esperando. Entreguei Tay a Jane e me aproximei de Ale. Ouvi Jonh cochichar algo pra Jane, mas não dei atenção.


-Minha filha.


-Olá "mamãe" -Disse ironicamente. E dei-lhe um tapa forte no rosto me afastando em seguida sentindo minha mão arder.


-Isso que dá ser criada por uma maluca como a Michenne. -Disse ela massageando o rosto vermelho.


-Não fale assim dela! Você nunca foi e nunca será minha mãe! Nunca! Não acredito que sou filha de... De... Você! Mãe é aquela que cuida da filha durante toda a vida e se dedica a ela. Você não fez isso! E mãe... -Olhei pra minha mãe. -Por que não me contou a verdade? Eu ia entender... Mas isso não é sua culpa. -Olhei pra meu pai com fúria, dando as costas pra Ale, que colocou a arma na minha cabeça.


-Sou sua mãe e pronto. Eu faço o que bem entender. Não tive você porque quis, foi tudo parte de um plano . Em troca do meu corpo recebi uma entrada pra CIA, você foi apenas o resultado disso. O que eu poderia fazer? Trocamos qualquer coisa pelos nossos sonhos. -Ela carregou a arma ainda encostada em minha cabeça. -E o meu sonho agora é acabar com o que não tive coragem no passado.


Daniel também carregou a arma e apontou-a para Ale enquanto Jonh e Jane repetiam o gesto apontando as armas pra Marrie, está apontou sua arma pra Daniel.


-Se atirar morre. -Disse Daniel com os olhos fixos em mim. Ale riu sarcasticamente.


-Você se acha demais moleque. Não me importa o que tenha que fazer. Vou conseguir o que quero e preparei todo um batalhão pra isso. -A porta da casa foi arrombada. -Conheçam os Violets.


Daniel avançou um passo e Marrie atirou.


-Deveria comprar óculos, Marrie. -Atiçou Jane após constatar que Marrie tinha errado o alvo. Marrie murmura algo que não entendo em resposta e os violets entram.


Eram 10 ao todo. 7 mulheres e 3 homens, todos vestidos de preto com um emblema violeta no peito. Como aquela mulher conseguiu entrar aqui com esse batalhão?! Só percebi quando Ale segurou meu braço com força ainda com a arma na minha cabeça que Dan tinha se aproximado mais de nós e mirava nela, porem com a mudança de posição ela me deixou entre os dois impedindo Dan de atirar.


-Eles estão ao meu comando, sabia que não seria tão fácil voltar com a minha filha e com a minha linda netinha pra Rússia. Então criei os violets. Diga Sarin não seria lindo morrer junto com sua filha em sua terra natal?! -Ale murmurou a última frase em meu ouvido me fazendo gelar.


Um homem dos violets com os cabelos e pele negros avançou um passo. Ele encarou alguma coisa com seus olhos amarelos impenetráveis. Olhei pra onde seu olhar mirava e vi que minha mãe estava com Tay nos braços. Me soltei de Ale e corri até minha filha segurando-a com força.


-Vocês são minhas. -Foi a última coisa que ouvi Ale dizer, depois um tiro foi disparado e outros o seguiram. Não sei de onde eles vinham, por algum motivo minha vista ficou embasada.


-Corra Sarin! -Corri ao ouvir a voz de Dan. Não sabia pra onde estava indo, apenas apertei Tay e corri. Desmaiei.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Cap bonus - Kate

16 de Abril de 1955 – Meu casamento!

Tudo estava perfeito, eu acho. Quem mandou deixar Daniel e Jane no comando?! Eu fui pro salão pela manhã pra fazer cabelo, unhas, maquiagem, os últimos ajustes do vestido... Tanta coisa. Jane iria ficar comigo e Sarin o dia todo, Daniel ia cuidar de Tay e dos preparativos (péssima idéia!) e Jonh cuidaria do Krisher. Jane e Jonh seriam meus padrinhos, Sarin minha dama de honra, e Tay junto com Daniel levariam as alianças.

No salão Sarin e eu riamos enquanto Jane dava ordens nos pobres cabeleireiros que pareciam tontos correndo de um lado paro outro.

-Calma Jane. Até parece que a noiva é você! – Disse eu rindo.

-Francamente Kate! É claro que estou ansiosa... Nunca imaginei que minha irmãzinha mais nova se casaria antes de mim.

-Certo, certo, mas acalme-se um pouco. Está me deixando nervosa. –Dei um meio sorriso, ela veio até mim e beliscou minha bochecha, eu detesto quando ela faz isso!

-Você está tão fofa! –Argh! Sorri pra ela. Quando Jane se virou, me voltei pra Sarin massageando a bochecha e fazendo careta, ela abafou uma risada.

Finalmente estava pronta, atrasada, mas pronta. Meu cabelo preso em roda caia em cachos amarronzados sobre os ombros, o véu não muito longo arrastava-se a minhas costas por pouco mais de meio metro, o vestido longo era bordado em cetim, vinha justo até a cintura e depois caia solto até o chão. A maquiagem era de um azul mais claro que o céu, as bochechas e boca rosadas me confundiam com uma boneca. O buquê de flores silvestres completava o visual.


Entrei na igreja ornamentada de braços dados com meu pai que não agüentava de emoção. A igreja estava lotada. Os pais de Krisher a seu lado no altar, Jane e Jonh no outro, os irmão dele, Sarin, Daniel e Tay nos primeiros bancos e nossos amigos no resto da igreja. Ao chegarmos ao altar meu pai beijou minha mão e a pôs por cima da de Krisher dizendo:

-Cuide bem da minha filhinha...

-Eu cuida...

-Se não fizer isso, mato você. A CIA existe por isso. –Ele sorriu junto com Daniel enquanto Krisher engolia em seco.

-Ele só está brincando. –Sussurrei enquanto sorria com Krisher no altar.

O casamento seguiu perfeito. No final as solteiras se amontoaram no meio da rua e eu contei até três da porta da igreja pra jogar o buquê. Sorri quando ele parou no colo de Tay, para desespero de Dan. É obvio que joguei-o lá de propósito, minha pequena afilhada se divertia com as flores. Eu e Krisher nos beijamos e de mãos dadas corremos pro carro com a chuva de arroz.

Nossa Lua de mel seria em Miami, só duraria alguns dias. Logo estaríamos em casa para irritar Dan e os outros de novo...

Cap 8 - Sarin


Minha vida não podia estar melhor exceto pelo fato de ter um “louco” querendo fugir comigo e com minha filha e dos meus pais não estarem ali comigo, me apoiando. Bateu certa tristeza por estar construindo uma família sem eles. Senti vontade de chorar, mas ao invés disso pensei que eles deveriam estar felizes, mas... E se não estivessem? Se estivessem preocupados comigo e com o Krisher? Decidi ligar pra eles.

Ligação on:

-Alô? –Atendeu alguém do outro lado.

-Oi. Gostaria de falar com Michenne.

-Só um momento. –Respondeu a voz que agora eu identificava como sendo de Rullinê.

-Alô? –Disse a voz que reconheci como a de minha mãe. Quase não consigo conter o choro.

-Mãe... -Filha?! Tudo bem? Como estão as coisas? Estava tão preocupada com você e com o seu irmão? Ele está ai? Onde você está?

-Calma mãe. Eu tenho uma novidade pra você. Sua neta nasceu ontem.

-Minha neta? Eu perdi o nascimento da minha netinha? Ai Sarin... Como ela é? –Diz minha mãe surpresa e feliz.

-Linda! Cabelos castanho claros, olhos azuis e muito pequena. Ela é linda e perfeita!

-Seu pai vai amar essa noticia!

-Mãe, como estão todos ai? –Silencio. –Mãe? Mãe! –Acho que a ligação caiu... Desliguei o telefone preocupada.

Ligação off

Daniel entrou no quarto e eu ainda estava preocupada.

-Oi, tudo bem? –Perguntou ele me beijando.

-Minha... Mãe... –Desmaiei.

Quando acordei Daniel estava a meu lado com Tay em seus braços.

-Oi. Diz “oi” pra mamãe Tay. –Sorri.

-Oi, meus amores. –Respondi beijando Daniel e pegando Tay para amamentá-la.

-O que houve antes de eu chegar amor?

-Não sei... –Na verdade eu sabia muito bem... Apenas não quis preocupar-lo.

2 semanas depois


Finalmente chegou o dia de ir pra casa. Eu odiava ficar parada, não tinha nada pra fazer naquele hospital e as duas semanas mais pareceram meses. Daniel e Jane vieram me buscar no inicio da tarde.

Depois de chegar em casa me sentei para amamentar Tay e depois fui colocá-la pra dormir. Ela tinha acabado de adormecer quando Kate entrou aos berros.

-Eu vou me casar! –Eu e ela gritamos de felicidade e começamos a pular. Daniel e Jonh sentados no sofá nos olhavam como se fossemos de outro mundo.

-Shh! –Diz Jane. –Tayane está dormindo. –Tarde demais pra ela avisar. Tay acordou e começou a chorar no colo de Jane que a entregou a mim.

-Quem foi o idiota que te pediu em casamento? –Disse Daniel debochando.

-Não foi nenhum idiota porque não foi você! –Diz ela dando língua, Daniel ameaçou revidar e eu prevendo a briga entreguei Tay pra ele e puxei Kate pra cozinha para podermos “conversar”.


Daniel’s POV

Era demais pra mim... Tudo aconteceu ao mesmo tempo, o nascimento de Tay, as ameaças de Still e agora o casamento de Kate! Quem diria que minha “irmãzinha” iria se casar com um... Um... O Krisher, meu cunhado, ou melhor, futuro cunhado.

Mas prefiro pensar em minha filha... Eu tinha que procurar outras filhas de agentes que fosse virar espiães para crescerem junto com ela. Iriam se tornar amigas, vigiá-la para que não se metesse com garotas pervertidas e principalmente mantê-la longe dos meninos!

-Daniel! Você não está pensando em outro plano louco para manter nossa filha longe dos meninos, né?! –Disse Sarin sentando a meu lado. Acho que eu estava distraído demais olhando Tay brincar com as próprias mãos que não vi Sarin se aproximar.

-Não. Jamais. Kate já foi? –Disse tentando mudar de assunto. Meu pai disfarçou o riso com uma tosse.

-Sim. Estou exausta, vou dormir.

-Tudo bem, depois eu vou. –Beijei-a e ela foi pro quarto. Depois de alguns minutos Jane e meu pai foram embora também.

Eu estava sem sono e ao que parece Tay também, ela ficou olhando pra minha cara e mexendo a cabeça como se quisesse dizer alguma coisa. Eu tinha tanta coisa em que pensar que não pude me conter.

-Quer ir passear com o papai? –Entendi o silencio da Tay como um sim, peguei a chave do carro, coloquei minha filha na cadeirinha, sentei no banco do motorista e acelerei minha nova Mercedes-Benz. Acelerei sem rumo, vendo as pessoas nas ruas e aconselhando Tay sobre os garotos certos e a idade certa pra namorar, aproximadamente uns 35 anos. OK, admito que estou exagerando um pouquinho, mas fazer o que se ela é linda como o pai?!

Já eram quase 10 horas quando resolvi voltar pra casa.

-Sarin?! –Procurei Sarin por toda parte, mas não a achei. Decidi ligar pra Kate.

Ligação on:

-Hello?!

-Kate?!

-Vai dormir Daniel!

-Jane! Deixa eu falar com a Kate!

-Kate!!!!

-O que você quer Daniel?!

-A Sarin sumiu!

-Como?

-Sumiu Kate! Eu simplesmente cheguei em casa e ela não estava! Sumiu!

-Tá, já entendi! E a Tay?

-Está comigo. Eu sai e levei-a comigo.

-Tô indo pra ai.

Ligação off


Kate chegou 5 minutos depois! Com uns 10 agentes atrás dela.

-Vamos?!

-Vamos! –Sentei ao volante e Kate segurou Tay.

Procuramos Sarin por toda parte e finalmente a encontramos em frente a um supermercado beijando o Still! Sai correndo na direção do “casalzinho” e atrapalhei o beijo.

-Sarin, você me deve explicações! –Quando eles viraram vi que não eram as pessoas que eu estava procurando. –Er... Desculpa ai. –Corri pra dentro do supermercado e dei uma trombada em Sarin fazendo-a cair no chão com sua caixa de suco de abobora.

-Ai!

-Oi amor. Desculpa! Você ta bem? –Perguntei ajudando-a a levantar.

-Estou... Por que você tava correndo desse jeito?!

-Tava te procurando. O que houve?

-Eu tava com vontade de beber suco de abobora e como você não estava em casa vim ao supermercado... –Saímos do mercado e os agentes carregaram as armas, Kate acenou de dentro do carro e ao receber o olhar fuzilante de Sarin se escondeu atrás de Tay.

-Tá tudo bem pessoal... –Os agentes abaixaram as armas e entraram nos carros Sarin me olhou com as mãos na cintura.

-Daniel Longbutton.

-Foi a Kate! Eu pensei que você tinha sido seqüestrada de novo, ai eu liguei pra ela e ela chegou lá em casa com os agentes. Desculpa! Desculpa. Desculpa!

-Vocês deviam parar de fazer isso.

-Você também - Ela sorriu, nós nos beijamos e fomos pra casa “tentar” ter uma noite de sono.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Cap 7 - Daniel


Eu não conseguia dormir desde ontem e com certeza meu aspecto não era dos melhores. Eu ainda não tinha ido ver meu filho que nasceu ontem à tardinha (27 de fevereiro), preferi ver Sarin primeiro, tirar esse peso da consciência e coração.
-Eu queria explicar...
-Não há nada a ser explicado. Você me traiu. Não me ama mais.
-Sarin! Não diga isso. Eu a amo muito.
-Mas não me amou o suficiente para se manter fiel.
-Eu... Tem razão. Fui um idiota insensível por traí-la. Você tem todo o direito de gritar, me bater e até mesmo me odiar. Mas nunca diga que não a amo. Eu a amei cada momento da minha vida. A amei mais do que minha própria vida e ainda a amo. Você é a parte mais importante da minha vida e sempre será assim.
-Daniel... Não posso negar que ainda te amo, mas não sei se é o certo.

-Talvez não seja o certo, mas é o que sinto e vou lutar por esse amor. Lutar por seu perdão. –Ela sorriu.

-Não precisa mais lutar. Eu não consigo ficar longe de você. Não consigo odiar a pessoa que mais amo. Eu já te perdoei. –Sorri e beijei-a levemente. Kate e Krisher atrapalharam nosso beijo ao chegar fazendo barulho.

-Onde está minha afilhada?! –Pergunta Kate quase arrombando a porta ao entrar.

-Afilhado. –Corrige Krisher, ela faz careta e eu fico de pé como uma pessoa “normal”.

-No berçário. E quem disse que vocês são os padrinhos? –Pergunto.

-A Sarin. –Responderam em uníssono. Sarin sorriu fingindo dormir e eu suspirei.

-Vamos deixá-la dormir. Quero ver meu filho.

-Filha! –Insistiu Kate puxando Krisher pelo corredor. Paramos em frente ao grande vidro do berçário. Um bando de bebês chorões com mantos rosa e azul estavam instalados nos seus berços. Eu e Krisher escoltamos Kate entre os outros pais até perto do vidro.

-Olha é aquela pequenina ali no canto. –Disse Kate apontando pra uma menina que estava babando as mãos.

-Não é não! É aquele moleque chorão ali. Olha Daniel é a sua cara! –Divertiu-se Krisher apontando pra um garoto que ficava se debatendo. Dei-lhe um tapa na cabeça.

-Cala a boca! É aquele ali no canto. Espera aí! Aquele cara vai roubar o meu filho!

-Shh! Daniel, aquele é o pai do “seu filho”! –Diz Kate tapando a minha boca. Ela estava certa.

-Então cadê meu filho?!

-Posso ajudá-los? –Pergunta uma enfermeira.

-Esse idiota não sabe quem é o filho. –Informou Krisher caindo na gargalhada.

-E o senhor é... –Diz ela consultando a ficha.

-Daniel Longbutton. –Disse.

-Sua esposa é Sarin Longbutton?

-Sim.

-Ali. É a menina no bercinho do centro. –Ela fez sinal pra uma enfermeira que pegou a pequena e levou-a até próximo ao vidro. Cheguei mais perto para olhá-la. Tão frágil e pequenina, os cabelos quase escassos e os olhinhos azuis comprimidos.

-Eu disse que era menina. –Disse Kate rindo e acenando para a bebê enquanto Krisher cruzava os braços sorrindo.

-Minha filha. –Disse tocando o vidro.

-Está quase na hora de levá-la pra mãe amamentar. O que acham de irem até lá? –Diz a enfermeira.

-Ótima idéia! –Kate me puxou pelo braço. –Mas antes você vai lavar o rosto e comer. Ta parecendo uma assombração! Não vou deixar você assustar minha afilhada! –Revirei os olhos e fui pro banheiro lavar o rosto enquanto Krisher pedia todo o estoque da cantina e Kate fazia nossos pedidos. No final Krisher devorou 3 X - tudo, Kate comeu um sanduíche natural e eu um X-Duplo.

Quando chegamos ao quarto de Sarin, a enfermeira estava ajudando-a a segurar a bebê e amamentá-la. Eu e Kate sentamos um de cada lado da cama e Krisher puxou uma cadeira pra perto da cama.

-E ai qual vai ser o nome dela? –Perguntou Krisher. Sarin fez cara de quem está pensando e respondeu.

-Eu quero um nome americano!

-Esse não é meio grande? –Qual é o problema com o Krisher?!

-Inteligente! Esse não é o nome! E eu acho que ela devia ter um nome russo. –Digo eu e Sarin faz careta.

-Por que vocês não misturam russo e inglês? –Pergunta Kate.

-É. Fala alguns, Dan! –Sarin sorri.

-Eu? Serio?

-É! –Dizem as duas em uníssono.

-OK... Tamian, Kushian, Taynosher, Kitasher, Milesher, Taynesh, Tayane, Touhash…

-É esse! –Grita Sarin.

-Touhash?! –Perguntamos incredulous.

-Não. Tayane. O nome dela é Tayane. –Sarin sorriu olhando para nossa filha alinhada em seus braços.

Depois que Tay (Como Krisher cismou em apelidá-la) terminou de mamar eu a segurei desajeitadamente e meu pai chegou com Jane, esta começou a brigar com Kate para ver quem seguraria Tay depois de mim. Elas estavam no meio da discução quando um enfermeiro chegou trazendo um buque gigantesco de rosas vermelhas.

-Com licença, entrega para Sarin... Guerguiev. –Ninguém aqui chama Sarin de “Guerguiev”! Dei Tay pra Kate e meu pai trouxe o buque pra perto da cama.

-São lindas! Quem de vices mandou? –Nos entreolhamos.

-Nenhum de nós mandou flores, Sarin. –Concluiu Jane.

-Então... –Ela pegou um pequeno cartão escondido entre as rosas. Seu rosto ficou pálido e os olhos encheram-se de lagrimas. Peguei o cartão de suas mãos e li-o. Com uma caligrafia impecável e exagerada estava escrito em russo:

“Sarin, meu amor, eu já fui visitar sua pequena filha, a filha que podia ser nossa. Ela é linda e delicada como você, mas infelizmente herdou os olhos do hipócrita a quem vai chamar de pai. Não se preocupe querida, estarei sempre por perto observando-as e logo irei levá-las comigo para que possamos ter nossos filhinhos. E enfim seremos uma família feliz. Beijos, para sempre seu, Still.”

Rasguei o bilhete que mais parecia uma carta e joguei-o no lixo. Sarin me olhou assustada enquanto todos perguntavam o que estava acontecendo. Fui até Sarin e abracei-a.

-Vai ficar tudo bem, amor. Não vou deixar que ele se aproxime de vocês.

-Tay. –Ela pediu esticando os braços pra nossa filha, Kate entregou-a prontamente e Sarin a apertou junto ao peito. –Daniel, prometa. Prometa pra mim que não vai deixar ninguém machucá-la. Nunca.

-Eu... Eu prometo. –Abracei-a. – Jane...

-Já sei. Vai precisar de agentes. –Fiz que sim. Krisher estava ruborizado apertando o braço da cadeira enquanto Jane fazia telefonemas falando rápido, assim deixando Sarin e Krisher meio perdidos.

-Vai quebrar Krisher. –Disse tentando deixá-lo à vontade. Não deu certo. Ele saiu bufando e Kate foi atrás dele.

Jane finalmente desligou o telefone e voltou-se pra nós.

-Os agentes estão posicionados. Está parte da ala está isolada, só entra pessoal autorizado.

-Obrigado, Jane.

-Daniel. Posso falar com você um momento?

-Claro pai. –Beijei a testa de Sarin, acariciei Tay e fui para o corredor com meu pai. –O que houve?

-O que houve?! Sei que está preocupado com sua esposa e filha, mas olhe em volta. Quase toda uma ala do hospital mais famoso de Los Angeles está fechada e varias mulheres tiveram de ser transferidas.

-Não vou deixá-lo se aproximar delas. Ele está louco e...

-Certo Daniel. Vamos fazer do seu jeito, mas lembre-se que Sarin não pode se agitar.

-Eu sei, eu sei. –Assim encerramos nossa inspiradora conversa. Eu voltei para o quarto e meu pai foi orientar os agentes.

Como Tay precisava de cuidados especiais por ser prematura a enfermeira logo foi buscá-la e eu e Sarin ficamos sozinhos. Notei que ela estava cansada, pois já era noite, mas estava preocupada demais pra dormir.

-Descanse amor. Eu vou cuidar de tudo. –Abracei-a e acaricie seus cabelos até ela dormir.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

cap 6 - Sarin


Quando acordei estava no hospital, Daniel estava a meu lado, acabei me agitando. Eu estava furiosa com ele. O médico chegou com uns papeis na mão e me olhou com cara de felicidade.

-Então doutor, algum problema? –Perguntou Daniel a meu lado. Respirei fundo e me concentrei em não atacá-lo.

-Não. Esse bebê está muito apressado pra nascer. Deve vir daqui a algumas semanas, mas lembrem-se que é uma gravidez de risco então preciso que mantenha a calma e repouse. –Disse olhando pra mim. –Vai fazer isso, miss Sarin?

-Vou tentar. –Suspirei e respondi quase num sussurro. Isso seria muito difícil.

Logo depois voltamos pra casa. Eu estava tentando manter a calma, mas explodi quando ele chegou beijando meu pescoço.

-Daniel.

-Sim amor. –Disse ele ainda beijando-me.

-Quem é Katherine. –Ele parou de me beijar e se afastou. Ele estava meio surpreso e desconcertado.

-A Kath... Veio aqui?

-Daniel! Quem é ela?! –Gritei chorando.

-Sarin eu...

-É verdade não é?! Como pôde fazer isso comigo?! Vocês... Vocês dois... –Minha pergunta real pairou no ar, mas ele entendeu o que quis dizer, sequei as lagrimas. Ele tentou balbuciar algumas palavras, mas não conseguia completar nem uma silaba. Olhou pra mim e depois abaixou os olhos. Isso foi o suficiente! –Daniel! Eu não acredito! –Gritei chorando.

Corri pro nosso quarto, abri o armário tirando as roupas dele de dentro e tacando-as pela janela. Ele parou na porta me olhando surpreso, eu chorava e gritava em russo xingando-o.

-Vá embora Daniel! Eu não quero vê-lo nunca mais! Sai daqui! Eu... EU TE ODEIO! – Dito isso senti uma pontada muito forte na barriga, parecia que alguém a estava chutando. Respirei fundo.

-Sarin, me escute. Por favor. –Pediu ele vindo ao meu encontro.

-Eu não quero escutar nada. Os seus atos falam por você. Desde o começo... Tudo o que você faz é mentir pra mim. Sai daqui. Vá embora. –A barriga parecia pesar um quilo e a dor me fez cair de joelhos e eu senti algo molhar meu vestido. Será que a bolsa tinha estourado?! Eu devia ter ouvido meu pai. Daniel provavelmente já tinha partido. Minha vida tinha acabado. Não importava mais nada. Fechei os olhos sentindo a dor tomar conta do meu corpo. –Você tinha que escolher uma hora como essa pra nascer bebê?! Daniel... –Cai pra trás, mas alguém me segurou.

-Eu não vou deixar você. –Daniel. Ele não tinha ido. Me pegou no colo e começou a descer as escadas comigo. –Sarin, eu preciso que preste atenção em mim. Você está bem?

-Eu... Não consigo enxergar. Daniel. Ta doendo muito. O bebê... Ele ta nascendo.

-Droga. Fica calma amor. Vai dar tudo certo. A voz de Daniel ficou distante assim como o azul de seus olhos.

Quando voltei a enxergar eu estava em uma maca, com aquelas roupas azuis de hospital, muitos médicos estavam a minha volta.

-Não temos tempo a perder precisamos tirar o bebê agora. É uma gravidez de alto risco e ela já está tendo contrações 5/70 seg. Vai nascer prematuro. –Disse um dos médicos a meu lado. Eles estavam me levando pra sala de cirurgia.

-Calma miss Sarin... Consegue me ouvir?

-Sim... –Balbuciei tentando assimilar as palavras dele com o pouco que eu sabia de inglês.

-Ótimo. Você traga o bisturi, você a anestesia, você a linha de ponto. Separe a tesoura e os panos. Encaixe o soro nela. – O tempo das contrações tinha diminuído Eu parecia que ia desmaiar de tanta dor. Gritei apertando a maca. O suor e as lagrimas escorriam pelo meu rosto.

-Miss Sarin. Mantenha-se firme e calma. Precisamos da sua ajuda. –Senti algo rasgar fundo minha barriga.

-AHH! –gritei de dor.

-Mais anestesia! –Gritou o médico. Consegui ouvir o monitor cardíaco disparando e os médicos distribuindo ordens e realizando os procedimentos.

-Ela está perdendo muito sangue doutor.

-Eu sei. Estou quase lá. O bebê se enrolou no cordão umbilical. Vamos ter problemas. –Fiquei desesperada. Escutei um chorinho fino. –Consegui! –Em alguns minutos a criança ainda ensangüentada foi posta ao lado do meu rosto.

-É uma linda menina. –Disse a enfermeira levando minha filhinha. Estavam tirando meu bebê de mim. Traga-a de volta! Eu não conseguia gritar. Mesmo fraca estiquei o braço pra minha bebê.



-Minha filha... Tragam ela... –Disse.

-Calma miss Sarin. Logo vai estar junto de sua filha. –Tentei me acalmar enquanto costuravam minha barriga. –Felizmente não houve a hemorragia. As duas estão saudáveis, mas é essencial que ela se acalme, ou acabará inflamando os pontos. –Respirei fundo perdendo a consciência. Deixei aos poucos o cansaço tomar conta de mim enquanto eles falavam sobre meu estado de saúde e o da minha filha. Segundo o que consegui entender eu e ela estávamos bem, ela ia fazer alguns exames e logo tudo “voltaria ao normal”. Eu dor e sonhei.

Eu estava num parque de Los Angeles, o outono espalhava as folhas secas no chão de pedrinhas. Tudo estava calmo de uma maneira estranha.

-Bonito aqui, não?

-Sim. –Sorri olhando para quem falava comigo. Era ela. Emily, a mãe de Daniel.

-Queria ter conhecido minha neta. –Disse Emily dando um leve sorriso.

-Ela... –Não terminei de falar, nem sabia o que dizer.

-Daniel não fez por querer. Não acho que minha neta precise sofrer por isso.

Olhei pra Emily. Como ela sabia de tudo isso? Como sabia da minha filha? Dos meus problemas com Daniel?

-Ele me trocou pela “Kath”. –Disse fazendo tom de deboche.

-Ele não te trocou. O meu filho te ama Sarin.

-Queria ter certeza disso. –Disse deitando-me em seu colo. Eu estava cansada.

-Ele ainda é um menino, mas com certeza essa filha irá amadurecê-lo. Você o mudou e ela o mudará ainda mais. Confie nele Sarin... –Assenti e bocejei.

-Onde estamos?

-Eu não sei... Realmente não sei...

Der repente acordei em um quarto de hospital. Tinha sido um sonho. Talvez. Eu ainda ouvia o monitor cardíaco e o soro pingando. Tudo a meu redor era branco. Respirei fundo e tentei mudar de posição. Doía tentar me mexer. Vi que minha barriga já estava menos inchada.

-Posso falar com você? –Disse Daniel parado na porta entreaberta. Ele estava com um aspecto frágil. Com o cabelo bagunçado e olheiras. A quanto tempo ele estava ali? Eu já não fazia idéia de que dia era.

-Sim. –Disse ajeitando-me. Ele veio até o meu lado lentamente e senti o meu sangue esquentar.

cap 5 - Sarin


2 semanas depois

Depois que Daniel saiu fui à cozinha pra ver algo comestível, ao descer escuto a campainha tocar. Será que Daniel esqueceu algo?! Abri a porta.

-Oi amor. –Disse ele me puxando, acariciei seus cabelos negros. NEGROS?!

-Me solta! Agora! –Gritei tentando empurrá-lo. Agentes da CIA apareceram e levaram Still. Fechei a porta em desespero. Será que esse cara não desiste?! E outra, pra quê todos esses agentes aqui?! Daniel! Peguei o telefone e liguei pra ele.

Ligação on:

-Hello.

-Daniel Longbutton!

-O que houve amor? Tudo bem?

-Não tem nada bem! Pra quê todos esses agentes?!

-Calma... Eu já to voltando.

Ligação off

Ele chegou em casa em uns 5 min.

-Amor! –Disse ele vindo até mim sorrindo.

-Nada de “amor”! O que eles estão fazendo aqui?!

-Te protegendo.

-De que?!

-Still!

-Você não confia em mim?

-Confio. Só não confio nele.

-Daniel! Ele estava quase morto a duas semanas!

-Não é pra tanto e ele é um idiota! O que o impede de tentar de novo?! –Me cale. Ele sorriu e me beijou. –Só estou preocupado com você...

-Obrigado... Mas, Daniel... Eu os quero fora!

-Mas...

-Daniel.

-Ok. –Ele estalou os dedos e saíram agentes da CIA dos lugares mais improváveis. –Pronto. –Ele voltou a me beijar.

-Daniel...

-Outro enjôo?

-Não... Daniel, eu realmente acho que você precisa ir trabalhar.

-Mas eu quero...

-Eu também quero, mas você tem alguns deveres a cumprir. Certo? –Disse cortando-o.

-OK. –Ele se afastou e saiu. Ótimo Sarin! Agora você está sozinha nessa casa gigantesca! Briguei comigo mesma.

Liguei a TV pra ver se eu conseguia entender alguma coisa, mas desliguei assim que começaram a falar algo sobre os russos. Não entendi muito bem, mas dava pra ver que não era nada bom. Fiquei então deitada no sofá.

Eu estava olhando o teto quando ouvi uma voz atrás de mim.

-Sarin. –Olhei pros lados, mas não vi ninguém. A voz torna a me chamar, então saio pela casa à procura do dono da voz. Já tinha olhado todo o 1º andar e não encontrei ninguém então fui até o meu quarto e lá, deitado na minha cama estava ele. Still. –Olá amor. –Sai correndo de lá. Mas Still me seguiu até a cozinha. Eu estava encurralada. Ele me abraçou por trás. –Você é minha.

-AAAAHHH!!!!!!!!! –Gritei.

-O que houve amor? –Daniel estava sentado no chão me olhando.

-Still! Ele estava aqui!

-Amor, não tem ninguém aqui.

-Ele estava aqui!

-Foi só um sonho. –Olhei em volta. Ele tinha razão. Eu havia adormecido no sofá, mas me recusava a acreditar que tinha sonhado com Still! Daniel beijou minha testa e foi tomar banho. Eu fui até a cozinha. Já eram quase 5 horas e eu nem tinha tomado café da manhã. Quando estava chegando na porta da cozinha o telefone tocou.

-Hello. –Tentei atender como Daniel. A ligação caiu e a energia também.

-Sarin? –Daniel me chamou saindo do banheiro. Uma sombra se moveu atrás de mim e depois não lembro de mais nada.

-Acordei em um quarto estranho. Eu estava vestida com uma camisola rosa de seda e a luz forte do Sol entrava apenas por uma fresta na janela coberta com cortinas escuras. Percebi que também estava presa pelos braços numa cama redonda. Tentei me soltar, mas eu não tinha comido nada, estava fraca e com muita fome. Aos poucos uma sombra encostada na parede começa a se aproximar. Me desesperei.

-Como vai a bela adormecida? –Still!

-Com fome! –Ele bufou.

-Não está na hora de cuidar de você. 1º vamos cuidar de nós, se você for boazinha eu vejo algo pra você comer. –Ele estava por cima de mim na cama e começo a acariciar meu cabelo e me beijar. Eu tinha nojo dele e não ia deixá-lo me tocar de novo! Eu estava fraca, mas como minhas pernas estavam fracas a única solução foi chutá-lo. Ele quase caiu e não gostou muito disso. Voltou pra cima de mim e abaixou um pouco a alça da camisola mordendo de leve meu ombro. Senti um calafrio e pensei rápido.

-Eu... Me rendo... –Disse baixinho. Ele sorriu vitorioso.

-Sabia que não ia resistir a mim. –Tentei sorrir.

-Será que você podia me soltar, amor? –Falei beijando-o.

-Claro. –ele sorriu e soltou minhas mãos deitando-se a meu lado.

-Vamos brincar. OK? –Disse sorrindo e prendendo os braços dele. Ele sorriu com malicia.

-O que você vai fazer hein?! –Me levantei e vesti um casaco por cima daquela camisola idiota, por baixo dela coloquei minha calça jeans que estava em cima de uma mesa junto com minha blusa que peguei. Peguei também a chave do carro. –Sarin? Sarin! O que você está fazendo? Sarin!

-Tchau. –Disse correndo pra fora. Droga. Como é que eu vou dirigir?! Respirei fundo e no carro tirei a camisola e pus a blusa. Depois com muita calma consegui ligar o carro e cheguei a casa sem maiores danos.


6 meses depois

Cheguei em casa depois de passar a manhã com a Kate, eu estava cansada de carregar aquela barriga enorme de 8 meses, mas Daniel achava que eu estava linda. Tinha uma moça com os cabelos e olhos castanhos sentada no sofá da sala.

-Hello. –Disse ela sorrindo.

-Hello. Quem é você? –Disse com meu inglês com sotaque.

-Katherine.

-Nunca ouvi falar. –Tentei dizer ainda no meu inglês pobrinho.

-O Dan nunca falou? –Disse ela em inglês fingindo uma decepção enquanto se levantava.

-Dan... Te conhece?

-Sim. Sou a “lover” dele. –Lover?! Love=amor. Lover=amante?!

-Por que eu deveria acreditar em você?

-O que eu estaria fazendo aqui se não esperando-o? O Dan ia atrás de você pra terminar tudo. É comigo que ele quer ficar. –Senti meu mundo desabando, perdi o chão. Expulsei-a de lá e me sentindo fraca e tonta liguei pra Kate.

Ligação on

-Hello? –Atendeu ela.

-Kate... é Sa-Sarin... Vem... Pra cá! Please...

-O que houve? Sarin! Sarin!
–A voz de Kate ficou distante. Tudo escureceu...
Desmaiei.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

cap 4 - Daniel


Cheguei ao trabalho e fui direto pra minha sala, trabalhei com a papelada até a secretaria chamar.

-Mister Daniel. Tem uma moça aqui. Ela disse que se chama Katherine. –A não! Eu não posso! Eu não posso!

-Mande entrar. –Qual o problema com o meu cérebro?! Era pra eu mandá-la embora, mas já que ela está aqui...

-Hello, little Dan! –Disse ela entrando em minha sala.

-I’m mister Dan! –Disse empurrando-a pra uma cadeira.

-OK. –Ela tentou me beijar, mas a pus sentada de novo. Eu precisava colocar ordem nessa bagunça.

-Escute! Se vamos fazer isso tem que ser em segredo! Você vai ficar quieta! Entendeu?!

-Yeah!

-Ótimo! –Puxei-a pra meus braços tirando seu sobretudo e tudo o que ela vestia por baixo enquanto beijava-a. Apressei-me em despi-la pra terminar logo com aquilo. Não me sentia bem com aquilo... Sarin grávida e eu com Kath. Sou mesmo um idiota!

Eu estava me vestindo e ela sentada na minha cadeira. Peguei seu sobretudo e joguei-o pra ela.

-Agora chega. Sai daqui.

-Por quê? –Ela se levantou e veio até mim. Empurrei-a.

-Chega Kath! Não quero mais isso! Não posso enganar a Sarin assim!

-A Sarin não precisa saber. –Disse ela puxando minha gravata.

-Sarin é minha esposa. Vai ter um filho meu e eu a amo! –Disse tirando minha gravata das mãos dela e ajeitando o nó. Ela virou-se abotoando o sobretudo e reclamando.

-Amor... Que sentimento inútil! Eu só ligo pro prazer.

-Então busque prazer com outro homem.

-Vai se arrepender me descartando tão facilmente. –Disse encarando-me.

-Não me arrependo de escolhas certas.

-Vai se arrepender desta. –Ela juntou os lábios dela aos meus, desta vez com muito esforço não correspondi, então ela se foi. Suspirei e voltei ao trabalho.

Voltei pra casa no fim da tarde e encontrei Sarin meio assustada, meio triste sentada no sofá abraçando as pernas.

-Daniel! –Diz ela assim que me vê e vem me abraçar.

-O que houve? Você está bem? –Disse abraçando-a.

-Não... Eu... Daniel! –Ela me abraça mais forte quase chorando. Eu estava ficando assustado. Levei-a até o sofá e coloquei-a no meu colo acariciando seus cabelos.

-Calma amor. Me fale o que houve.

-Eu... Eu fui andar de bicicleta e cai. Então o Still apareceu, pensei que fosse você. Ele me levou pra casa dele. Quando percebi eu tentei fugir. Eu tentei, juro que tentei, mas não consegui... Ele... Ele me agarrou! –Fiquei estático enquanto ela terminava de contar com o rosto escondido em meu ombro. STILL!

-Eu vou matar esse idiota! –Coloquei-a no sofá e corri pro carro sem olhar pra trás.

-Daniel! –Ouvi-a me chamar enquanto acelerava. Droga! Esse idiota só podia estar em um lugar. Uma vila rica perto de Lãs Vegas pra onde a maioria dos refugiados russos iam. Cheguei lá em menos de 1 hora e achei a casa facilmente. Era uma mansão gigantesca, a única com as luzes acessas. Arrebentei o portão com o carro e entrei chutando a porta. Se eu não tivesse esquecido de carregar a arma eu sacaria ela ali mesmo.

-Still!

-Olha... Não sabia que a empregada deixava os animais entrarem em casa. –Ele desceu as escadas com pose de superior e parou na minha frente. Segurei-o pela gola da camisa.

-Quem você pensa que é?! Acha que pode chegar aqui, fazer o que quiser com minha mulher e ficar todo calmo na sua mansão?!

-Sim. –Dei-lhe um soco que o fez cair no chão. Ele riu e eu parti pra cima dele. Começamos a rolar no chão dando e recebendo golpes. Eu fiquei fora de mim. A única coisa em que pensava era acabar com a raça daquele idiota! Depois de alguns minutos de briga alguém me puxou pelos ombros, nem olhei quem era, dei-lhe uma cotovelada no nariz e voltei pra cima de Still.

-Daniel! Pare! –Me puxaram de novo. Dessa vez eram 2 homens.

-Não! Me solta! Eu vou acabar com esse cara!

-Daniel! Você já fez isso! –Finalmente vi as pessoas que estavam na sala. Jane que tinha gritado, ela estava apoiando a cabeça de Still sentada na escada enquanto Kate via os batimentos cardíacos dele, a camisa estava rasgada, o braço parecia quebrado e o rosto estava todo ensangüentado. Meu pai, com o nariz sangrando, e Krisher me seguravam. Comecei a sentir as dores da briga.

-Me soltem - Disse. Krisher obedeceu e meu pai passou o braço que ele segurava por seu pescoço apoiando-me e me levando até seu carro parado em um canto escuro do lado de fora da casa. Sentei, ou melhor, cai no banco do carona com cara de dor. Ele suspirou limpando o sangue que escorria do seu nariz e tentou tocar em algo no meu rosto, virei pro outro lado.

-Deixa de ser hipócrita Daniel! Preciso examinar você.

-Não preciso de exames!

-Se você não se lembra, não pode se agitar desse jeito! Estava em como a pouco mais de um mês atrás! E agora está ai todo machucado.

-Queria que eu fizesse o que?! Ele tocou nela! A agarrou! Beijou! Não podia fingir que não me importava!

-E por isso a deixou preocupada. Por isso vai deixá-la pior chegando em casa nesse estado. –Suspirei. Doeu. Devo ter quebrado uma costela ou duas. Mas o Still ainda estava pior.

-Certo. Você venceu. –Disse. Ele limpou o sangue dos meus ferimentos e depois que Kate apareceu e meu pai foi falar com a policia, ele inventava alguma historia sobre hippies alucinados. Ela enfaixou meu tronco por completo, embora isso não ajuda-se muito e fez uns curativos.

-Fez besteira. –Disse ela me ajudando a vestir uma camisa limpa.

-Cala a boca... Ele mereceu.

-Eu sei... Não to falando do Still. To falando da Kath.

-To começando a me arrepender de ter te contado. –Ela sorriu.

-Isso não é justo com a Sarin...

-É eu sei. Não vai acontecer de novo. –Jane e Krisher chegaram, assim encerrando minha conversa com Kate. Depois de algumas horas fomos pra casa. Eu, Jane e meu pai em um carro e Krisher e Kate em outro.

Chegando em casa meu pai me ajudou a andar até a porta, mesmo depois de eu ter insistido que podia andar sozinho. Sarin estava na sala mais aflita do que antes. Se eu tinha duvida, agora tenho certeza. Eu sou um idiota. Ela correu até mim, mas ao invés de me abraçar parou na minha frente.

-Oi. –Tentei, ela apenas me olhou. –Eu estou bem. –Silencio, suspiro, mais silencio. –Desculpe. –Puxei-a pros meus braços abraçando-a. Não sei se foi uma boa idéia, todo o meu corpo doía. Não consegui focalizar a vista e soltei-a me afastando um pouco. Quase cai, então ela me ajudou a sentar no sofá e enfim falou.

-Não devia ter ido bater nele. Olha o seu estado.

-O dele está pior. Eu garanto...

-Não importa quem está pior! Você se machucou por minha causa.

-Shh... Pare de dizer que tudo é culpa sua. Foi culpa dele. Ele é um idiota. –E eu sou o que? –Ele mereceu. – Eu também mereço. Ela deu um sorriso e me beijou de leve.

-Vamos esquecer isso. Como foi o seu dia? –Meu dia?! Droga.

-Chato. Organizei uma papelada e resolvi uns problemas.

-Problemas?

-Coisas da CIA. Não são interessantes. Vamos falar de você.

-Eu?

-É. Como está nosso filhinho?

-A... Está bem. –Ela respondeu co desânimo.

-Sentou enjôo?

-Um pouco...

-Se alimentou?

-Comi uns cereais e umas frutas. O resto me enjôo...

-Certo. Está cansada?

-Na verdade sim. Vamos dormir? –Fomos pro quarto e embora sentisse muita dor logo adormeci.

Tive um pesadelo. Nele eu não conseguia chegar a tempo de impedir o casamento de Sarin com Still. Ela agora era casada com ele, estava nos braços dele, na cama dele... E estava grávida. Depois nasceu o Still Junior, igualzinho ao pai... Acordei suado na manhã seguinte. Sarin ainda dormia a meu lado. Me apressei em tomar banho e me vestir. Estava todo doido, mas não podia faltar ao trabalho.

-Você vai trabalhar? –Pergunta Sarin sentando na cama enquanto abotoava minha camisa.

-Sim. Tenho muito trabalho, amor. Prometo tentar chegar cedo.

-OK. –Ela deu um meio sorriso. Eu beijei-a e sai.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

cap 3 - Sarin




Logo após Krisher sair, Daniel se abaixou e tocou na minha barriga dizendo:


-Como está esse bebê? Mamãe tá se alimentando? -Sorri imitando voz de bebê.


-Estou bem, mas mamãe não. Você vai ter que cuidar dela.


-Cuidar? -Pergunta ele levantando-se curioso. Fiz que sim e pus meus braços em volta de seu pescoço. Ele logo me pegou no colo. -Vamos cuidar de você! Tudo bem amor? -Disse ele sorrindo.


Sorri enquanto ele abaixava a alça do meu vestido e com cuidado tirava-o do meu corpo. Ele me pôs no chão para tirar sua camisa preta e depois voltou a me pegar no colo levando-me pro banheiro enquanto me beijava. Eu já havia preparado a banheira com água e sais de banho, ele me colocou lá dentro e terminou de se despir entrando na banheira e mordendo minha orelha disse:


-Você é linda!


-Sou? -Disse sentindo o enjôo voltar. Segurei. Não podia acontecer naquele momento. Daniel não merecia.


-Sim. -Disse ele encostando seu corpo ao meu enquanto beijava meu pescoço. O cheiro delicioso de amônia de seu corpo não ajudou meu enjôo.


-Daniel.


-Oi. -Disse ele beijando-me. Soltei-me dele e sai da banheira correndo.


-Enjôo!


-De novo não. -Murmura ele provavelmente revirando os olhos. Depois de lavar bem a boca andei na direção da banheira.


-Desculpe. -Disse dando um sorriso torto. Ele saiu da banheira perfeito e molhado, não sei porque, mas me deu vontade de comer salada de fruta com calda de chocolate quando ele me abraçou. Eu quase que podia sentir o gosto da sobremesa enquanto ele me beijava encostando seu corpo ao meu. Eu realmente queria a salada de frutas.


-Daniel. Desculpe.


-Sim. -Ele disse ainda beijando-me.


-Eu quero...


-Você quer... -Ele passa a mão pelas minhas costas.


-Eu quero salada de frutas com chocolate. -Disse. Ele se afastou ainda de olhos fechados. Abriu-os lentamente.


-Me espere no quarto. -Disse revirando os olhos e pegando uma toalha enquanto sorria.


Me vesti e esperei-o sentada na cama. Passei a mão na barriga. Aquele bebê estava acabando com minha vida conjugal! Eu não queria. Não só porque ele estava atrapalhando tudo mais também porque eu era muito nova pra isso. Era tudo muito novo pra mim.


Daniel não merecia tudo o que estava acontecendo! Não poder ficar comigo, ter que fazer as coisas por mim... Ele não merecia. Decidi que não ia mais atrapalhar. Eu ia me virar sozinha, ia aguentar os enjôos e os desejos por um longo tempo.


-Trouxe a salada de frutas com chocolate. -Disse ele entrando no quarto e sentando-se a meu lado na cama. Sorri e ataquei a pobre salada de frutas. Ele começou a rir enquanto eu mastigava.

-Du quê voxê tá rinjo? -Perguntei de boca cheia.

-Você tá suja de fruta. Deixa que eu limpo. –Disse ele me deitando na cama e lambendo um pedaço de fruta no canto da minha boca. Quando percebi estávamos todos sujos de fruta e chocolate. Ele riu. E se levantou um pouco pra me olhar. –Você fica linda assim. –Disse começando a beijar meu pescoço e passando pro resto do corpo. Senti um calafrio. Ri enquanto seus lábios percorriam minha barriga fazendo cócegas. Ele sorriu e nossa noite terminou assim.

No dia seguinte...

Acordei abraçada com o Daniel. Olhei-o carinhosamente.

-Te amo. –Disse em seu ouvido.

-Eu também. –Disse ele acordando com o toque do telefone, ele levantou e foi atender. –Hello? –A conversa em inglês durou apenas 30 seg. ou menos e ele desligou.

-Quem era? –Perguntei.

-Engano. –Ele sorriu torto e foi se arrumar.

-Já vai pra CIA? –Perguntei fazendo biquinho. Ele assentiu. –Fica.

-Só se você me convencer a ficar. –Ele respondeu terminando de abotoar a camisa. Me levantei e encostei meu corpo ao dele.

-Fica... –Disse beijando-o. Ele sorriu.

-Que tal café da manhã? –Perguntou me pegando no colo. Tentei me soltar, mas ele me levou facilmente até a cozinha.

-Daniel! –Chamei enquanto ele me colocava sobre a bancada.

-Hoje eu que vou cozinhar. –Disse ele mexendo na geladeira.

-Cozinhar o que? –Perguntei.

-Você vai ver.

Depois de algum tempo Daniel terminou de preparar os ovos mexidos com bacon, me deu um beijo e saiu. Olhei aquele prato e torci o nariz taquei com dó tudo no lixo “acariciando” a barriga.

-Vamos passear bebê? –Coloquei uma calça jeans, uma blusa preta e entrei no banco de trás do carro. O motorista perguntou pra onde eu queria ir, mas eu simplesmente não conheço nada por aqui... A não ser... O lugar onde me casei com Daniel...

-Las Vegas. –Respondi e ele acelerou. Fiquei olhando a paisagem passar pela janela e relembrei tudo. –Eu fico aqui. –Disse ao passarmos por uma rua arborizada onde eu lembrava vagamente haver um parque.

-Quer que eu a espere por quanto tempo miss Longbutton?

-Umas 2 horas. –Respondi ao motorista sorrindo e saltei.

Comecei a andar pela cidade. Ainda era muito cedo então as poucas pessoas que estavam na rua estavam praticando esportes. Andei chutando as pedrinhas até passar por uma loja de esportes onde decidi comprar uma bicicleta. Comprei também aqueles troços que protegem. Se era pra perder o bebê que fosse do um jeito que “parecesse natural”.

Comecei bem devagar. Esta até indo bem. Tinha a sensação de estar voando. Acelerei. Mais rápido! Tentei apertar o freio, mas não sabia onde era.

-Cuidado! –Gritei enquanto descia uma ladeira. Fechei os olhos e me deixei levar. Cai.

-Sarin? –Daniel? O que ele estava fazendo ali? Ele não tinha ido trabalhar? –Quanto tempo. –Abri os olhos. Era Still.

-Still? –Ele sorriu.

-Você está machucada. O que estava tentando fazer? –Não sei o que deu em mim. Abracei-o chorando.

-Por favor. Me leve pra casa, Still. –Ele assentiu e eu desmaiei em seus braços.



Quando acordei estava vestindo outras roupas, deitada em um sofá em uma casa que eu não conhecia e com o cabelo molhado.

-Onde estou? –Perguntei levantando-me.

-Na minha casa nova. –Respondeu Still. O que é que eu estava fazendo ali?! Levantei-me.

-O que eu estou fazendo aqui?

-Você me pediu. –Revirei os olhos caminhando até a porta.

-Onde você vai? Você está toda machucada. –Ele m segurou pelos ombros. –Fique.

-Still... –Disse fechando os olhos cansada e mordendo o lábio.

-Sarin, eu te amo. –Abri os olhos empurrando Still. Foi em vão. Ele era muito mais forte que eu e me jogou no sofá beijando-me. Tentei lhe bater, empurrá-lo, bater as pernas. Não estava dando certo. Vi que eu estava usando um vestido e ele apenas de short. Não ia poder fazer mais nada, eu não tinha força suficiente. Fiquei imóvel com a idéia. Minha situação piorou. Tentei voltar a me debater, mas não adiantou nada... Ele já tinha conseguido o que queria. Me corpo amoleceu no sofá enquanto uma lagrima solitária escorria.

Cap 2 - Daniel


Essa com certeza é a melhor noticia do mundo! Sarin está meio... Apreensiva, mas eu ficarei com ela nos melhores e piores momentos. Nos enjôos, na mudança de humor e no nascimento... Bem esse último eu não tenho muita certeza.


-Sarin, vou trabalhar, qualquer coisa me liga.


-Não se preocupe, ficaremos bem. -Ela sorri.


-Mesmo assim me ligue.


-Tudo bem. -Beijei-a e sai.


Chegando à CIA minha secretaria me informou de uma ligação urgente.


Ligação on:


-Hello. -Digo.


-Daniel?! -A ligação estava meio ruim então pensei que fosse Sarin.


-Hi Darling. Tudo bem?


-Você ainda se lembra? -OK, não era Sarin.


-Quem é?!


-Não se faça de bobo. Aqui é a Katherine.


-Katherine! Você deve ter ligado errado. -Disse depressa.


-Daniel! -Dei uma grande volta ao passado e lá estava Kath. Eu realmente não precisava que meu passado voltasse!


-O que você quer?


-Eu quero me matar! E a culpa é sua!


-Como foi que isso virou culpa minha?!


-Não importa! -Ela choraminga. -Adeus Dan...


-Kath! Please. Onde você está?


-9 street conner with 16! Número 350. é um prédio grande e marrom. -Desliguei o telefone e corri pra lá.


Ligação off


Cheguei rápido ao terraço do tal prédio. Kath estava de pé no parapeito olhando pra baixo.


-Kath! Não faça nada que vá se arrepender depois.


-Dan... Eu não vou me arrepender. -Ela tá me irritando! Berrei com ela batendo o pé.


-Kath! Vem aqui agora!


-YEAH!! -Ela desceu do para peito e pulou no meu colo. Acho que a intenção era que eu caísse...


-Me larga! Foi uma farssa ?!


-Yeah... Eu estava com saudade! -Diz ela fazendo bico dependurada no meu pescoço. Então ela me puxou, beijando-me. Foi bom... Mas... Sarin! A empurrei!


-Para menina! Eu sou casado! -Ela me beijou de novo.


-Não sou ciumenta.


-Vou ter um filho!


-Também posso te dar um filho! -Ela continuou os beijos, passando para meu pescoço. Puxei seus cabelos prendendo-a à parede.


-Você não tem noção do perigo?! -Gritei e ela sorriu com malícia.


-Adoro quando se irrita. -Voltamos a nos beijar e acabei me rendendo aquela abusada. Eu amo a Sarin. Mas quem pode me culpar? A garota é uma gata! Cabelos e olhos castanhos claros e um corpo que mais parece obra de arte. Ficamos nos agarrando por mais algum tempo, mas eu tenho outros compromissos. Empurrei Kath.


-Agora chega! Eu tenho que ir.


-OK. Te vejo amanhã?


-Talvez. -Deixei-a sozinha no terraço e voltei pro trabalho. Kate me esperava em minha sala.


-Onde você estava?! -Disse ela me fuzilando com o olhar.


-Er... -Não dá pra mentir pra Kate! -Katherine... Me ligou... -Relatei todo o ocorrido e pedi que ela não falasse nada.


-Uhum! Daniel, Daniel!


-Não vai se repetir. -Disse como uma criança prometendo a mãe não pegar mais balas do pote.


-É, espero! Não esqueça de que o Krisher está por perto.


-Nem me lembre. -Ela me deixou trabalhar e depois de algumas horas ela voltou a minha sala com a ideia brilhante de comprar o enxoval.


Entramos no carro e fomos comprar o bendito enxoval.


-Gostei desse!


-Rosa demais!


-E se for menina?!


-E se for menino?!


-É menina!


-É menino!


-Vamos embora! -Disse ela voltando pro carro.


-Mas... -Acabamos voltando pra casa sem comprar nada. Fiquei nervoso com a possibilidade do bebê ser menina! Já pensou se ela fosse linda como o pai?! Os meninos iriam correr atrás dela como cães famintos... Ei teria que colocar no minimo 3 guardas atrás dela e 2 espiões na escola. Todos mulheres é claro.


-Daniel! O carro! -Gritou Kate do meu lado. -Onde é que você tá com a cabeça?!


-Se vier menina...


-Daniel, você não está pensando em...


-Só 5 espiões.


-Nem 2!


-2 iriam trabalhar infiltrados... Seriam amigos dela. 5 pequenas espiães.


-Daniel! Minha afilhada não vai ser um pássaro dentro da gaiola!


-Tá bom! Só uma...


-Não! -Deixei Kate na casa dela e fui pra minha.


-Amor... -Disse entrando.


-Oi. - Respondeu Krisher do sofá.


-O que é que você tá fazendo aqui?!


-Visitinha! Vou dormir aqui! -Respirei fundo pra não quebrar a cara dele.


-Cadê a Sarin?


-Cozinha.


-Não! -Uma enorme nuvem de fumaça sai da cozinha. Eu e Krisher corremos pra lá.


-Tá tudo bem? -Pergunto pra Sarin.


-Os eletrodomesticos me odeiam! -Disse ela.


-Eles só tem inveja da sua beleza. -Eu a beijo fazendo-a ficar vermelha.


-Aham! -krisher atrapalha nosso romantismo.


-Eu sei que vocês querem privacidade mas... -O telefone toca e ele atende.


Ligação on:


-Alô


-Krisher! O que é que você ainda está fazendo ai?!


-Er... indo amor.


Ligação off.


Salvo por Kate. Nunca pensei em dizer isso mas... " Kate eu te amo, 'maninha' "