
-Talvez não seja o certo, mas é o que sinto e vou lutar por esse amor. Lutar por seu perdão. –Ela sorriu.
-Não precisa mais lutar. Eu não consigo ficar longe de você. Não consigo odiar a pessoa que mais amo. Eu já te perdoei. –Sorri e beijei-a levemente. Kate e Krisher atrapalharam nosso beijo ao chegar fazendo barulho.
-Onde está minha afilhada?! –Pergunta Kate quase arrombando a porta ao entrar.
-Afilhado. –Corrige Krisher, ela faz careta e eu fico de pé como uma pessoa “normal”.
-No berçário. E quem disse que vocês são os padrinhos? –Pergunto.
-A Sarin. –Responderam em uníssono. Sarin sorriu fingindo dormir e eu suspirei.
-Vamos deixá-la dormir. Quero ver meu filho.
-Filha! –Insistiu Kate puxando Krisher pelo corredor. Paramos em frente ao grande vidro do berçário. Um bando de bebês chorões com mantos rosa e azul estavam instalados nos seus berços. Eu e Krisher escoltamos Kate entre os outros pais até perto do vidro.
-Olha é aquela pequenina ali no canto. –Disse Kate apontando pra uma menina que estava babando as mãos.
-Não é não! É aquele moleque chorão ali. Olha Daniel é a sua cara! –Divertiu-se Krisher apontando pra um garoto que ficava se debatendo. Dei-lhe um tapa na cabeça.
-Cala a boca! É aquele ali no canto. Espera aí! Aquele cara vai roubar o meu filho!
-Shh! Daniel, aquele é o pai do “seu filho”! –Diz Kate tapando a minha boca. Ela estava certa.
-Então cadê meu filho?!
-Posso ajudá-los? –Pergunta uma enfermeira.
-Esse idiota não sabe quem é o filho. –Informou Krisher caindo na gargalhada.
-E o senhor é... –Diz ela consultando a ficha.
-Daniel Longbutton. –Disse.
-Sua esposa é Sarin Longbutton?
-Sim.
-Ali. É a menina no bercinho do centro. –Ela fez sinal pra uma enfermeira que pegou a pequena e levou-a até próximo ao vidro. Cheguei mais perto para olhá-la. Tão frágil e pequenina, os cabelos quase escassos e os olhinhos azuis comprimidos.
-Eu disse que era menina. –Disse Kate rindo e acenando para a bebê enquanto Krisher cruzava os braços sorrindo.
-Minha filha. –Disse tocando o vidro.
-Está quase na hora de levá-la pra mãe amamentar. O que acham de irem até lá? –Diz a enfermeira.
-Ótima idéia! –Kate me puxou pelo braço. –Mas antes você vai lavar o rosto e comer. Ta parecendo uma assombração! Não vou deixar você assustar minha afilhada! –Revirei os olhos e fui pro banheiro lavar o rosto enquanto Krisher pedia todo o estoque da cantina e Kate fazia nossos pedidos. No final Krisher devorou 3 X - tudo, Kate comeu um sanduíche natural e eu um X-Duplo.
Quando chegamos ao quarto de Sarin, a enfermeira estava ajudando-a a segurar a bebê e amamentá-la. Eu e Kate sentamos um de cada lado da cama e Krisher puxou uma cadeira pra perto da cama.
-E ai qual vai ser o nome dela? –Perguntou Krisher. Sarin fez cara de quem está pensando e respondeu.
-Eu quero um nome americano!
-Esse não é meio grande? –Qual é o problema com o Krisher?!
-Inteligente! Esse não é o nome! E eu acho que ela devia ter um nome russo. –Digo eu e Sarin faz careta.
-Por que vocês não misturam russo e inglês? –Pergunta Kate.
-É. Fala alguns, Dan! –Sarin sorri.
-Eu? Serio?
-É! –Dizem as duas em uníssono.
-OK... Tamian, Kushian, Taynosher, Kitasher, Milesher, Taynesh, Tayane, Touhash…
-É esse! –Grita Sarin.
-Touhash?! –Perguntamos incredulous.
-Não. Tayane. O nome dela é Tayane. –Sarin sorriu olhando para nossa filha alinhada em seus braços.

Depois que Tay (Como Krisher cismou em apelidá-la) terminou de mamar eu a segurei desajeitadamente e meu pai chegou com Jane, esta começou a brigar com Kate para ver quem seguraria Tay depois de mim. Elas estavam no meio da discução quando um enfermeiro chegou trazendo um buque gigantesco de rosas vermelhas.
-Com licença, entrega para Sarin... Guerguiev. –Ninguém aqui chama Sarin de “Guerguiev”! Dei Tay pra Kate e meu pai trouxe o buque pra perto da cama.
-São lindas! Quem de vices mandou? –Nos entreolhamos.
-Nenhum de nós mandou flores, Sarin. –Concluiu Jane.
-Então... –Ela pegou um pequeno cartão escondido entre as rosas. Seu rosto ficou pálido e os olhos encheram-se de lagrimas. Peguei o cartão de suas mãos e li-o. Com uma caligrafia impecável e exagerada estava escrito em russo:
“Sarin, meu amor, eu já fui visitar sua pequena filha, a filha que podia ser nossa. Ela é linda e delicada como você, mas infelizmente herdou os olhos do hipócrita a quem vai chamar de pai. Não se preocupe querida, estarei sempre por perto observando-as e logo irei levá-las comigo para que possamos ter nossos filhinhos. E enfim seremos uma família feliz. Beijos, para sempre seu, Still.”
Rasguei o bilhete que mais parecia uma carta e joguei-o no lixo. Sarin me olhou assustada enquanto todos perguntavam o que estava acontecendo. Fui até Sarin e abracei-a.
-Vai ficar tudo bem, amor. Não vou deixar que ele se aproxime de vocês.
-Tay. –Ela pediu esticando os braços pra nossa filha, Kate entregou-a prontamente e Sarin a apertou junto ao peito. –Daniel, prometa. Prometa pra mim que não vai deixar ninguém machucá-la. Nunca.
-Eu... Eu prometo. –Abracei-a. – Jane...
-Já sei. Vai precisar de agentes. –Fiz que sim. Krisher estava ruborizado apertando o braço da cadeira enquanto Jane fazia telefonemas falando rápido, assim deixando Sarin e Krisher meio perdidos.
-Vai quebrar Krisher. –Disse tentando deixá-lo à vontade. Não deu certo. Ele saiu bufando e Kate foi atrás dele.
Jane finalmente desligou o telefone e voltou-se pra nós.
-Os agentes estão posicionados. Está parte da ala está isolada, só entra pessoal autorizado.
-Obrigado, Jane.
-Daniel. Posso falar com você um momento?
-Claro pai. –Beijei a testa de Sarin, acariciei Tay e fui para o corredor com meu pai. –O que houve?
-O que houve?! Sei que está preocupado com sua esposa e filha, mas olhe em volta. Quase toda uma ala do hospital mais famoso de Los Angeles está fechada e varias mulheres tiveram de ser transferidas.
-Não vou deixá-lo se aproximar delas. Ele está louco e...
-Certo Daniel. Vamos fazer do seu jeito, mas lembre-se que Sarin não pode se agitar.
-Eu sei, eu sei. –Assim encerramos nossa inspiradora conversa. Eu voltei para o quarto e meu pai foi orientar os agentes.
Como Tay precisava de cuidados especiais por ser prematura a enfermeira logo foi buscá-la e eu e Sarin ficamos sozinhos. Notei que ela estava cansada, pois já era noite, mas estava preocupada demais pra dormir.
-Descanse amor. Eu vou cuidar de tudo. –Abracei-a e acaricie seus cabelos até ela dormir.
Nenhum comentário:
Postar um comentário