sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

cap 6 - Sarin


Quando acordei estava no hospital, Daniel estava a meu lado, acabei me agitando. Eu estava furiosa com ele. O médico chegou com uns papeis na mão e me olhou com cara de felicidade.

-Então doutor, algum problema? –Perguntou Daniel a meu lado. Respirei fundo e me concentrei em não atacá-lo.

-Não. Esse bebê está muito apressado pra nascer. Deve vir daqui a algumas semanas, mas lembrem-se que é uma gravidez de risco então preciso que mantenha a calma e repouse. –Disse olhando pra mim. –Vai fazer isso, miss Sarin?

-Vou tentar. –Suspirei e respondi quase num sussurro. Isso seria muito difícil.

Logo depois voltamos pra casa. Eu estava tentando manter a calma, mas explodi quando ele chegou beijando meu pescoço.

-Daniel.

-Sim amor. –Disse ele ainda beijando-me.

-Quem é Katherine. –Ele parou de me beijar e se afastou. Ele estava meio surpreso e desconcertado.

-A Kath... Veio aqui?

-Daniel! Quem é ela?! –Gritei chorando.

-Sarin eu...

-É verdade não é?! Como pôde fazer isso comigo?! Vocês... Vocês dois... –Minha pergunta real pairou no ar, mas ele entendeu o que quis dizer, sequei as lagrimas. Ele tentou balbuciar algumas palavras, mas não conseguia completar nem uma silaba. Olhou pra mim e depois abaixou os olhos. Isso foi o suficiente! –Daniel! Eu não acredito! –Gritei chorando.

Corri pro nosso quarto, abri o armário tirando as roupas dele de dentro e tacando-as pela janela. Ele parou na porta me olhando surpreso, eu chorava e gritava em russo xingando-o.

-Vá embora Daniel! Eu não quero vê-lo nunca mais! Sai daqui! Eu... EU TE ODEIO! – Dito isso senti uma pontada muito forte na barriga, parecia que alguém a estava chutando. Respirei fundo.

-Sarin, me escute. Por favor. –Pediu ele vindo ao meu encontro.

-Eu não quero escutar nada. Os seus atos falam por você. Desde o começo... Tudo o que você faz é mentir pra mim. Sai daqui. Vá embora. –A barriga parecia pesar um quilo e a dor me fez cair de joelhos e eu senti algo molhar meu vestido. Será que a bolsa tinha estourado?! Eu devia ter ouvido meu pai. Daniel provavelmente já tinha partido. Minha vida tinha acabado. Não importava mais nada. Fechei os olhos sentindo a dor tomar conta do meu corpo. –Você tinha que escolher uma hora como essa pra nascer bebê?! Daniel... –Cai pra trás, mas alguém me segurou.

-Eu não vou deixar você. –Daniel. Ele não tinha ido. Me pegou no colo e começou a descer as escadas comigo. –Sarin, eu preciso que preste atenção em mim. Você está bem?

-Eu... Não consigo enxergar. Daniel. Ta doendo muito. O bebê... Ele ta nascendo.

-Droga. Fica calma amor. Vai dar tudo certo. A voz de Daniel ficou distante assim como o azul de seus olhos.

Quando voltei a enxergar eu estava em uma maca, com aquelas roupas azuis de hospital, muitos médicos estavam a minha volta.

-Não temos tempo a perder precisamos tirar o bebê agora. É uma gravidez de alto risco e ela já está tendo contrações 5/70 seg. Vai nascer prematuro. –Disse um dos médicos a meu lado. Eles estavam me levando pra sala de cirurgia.

-Calma miss Sarin... Consegue me ouvir?

-Sim... –Balbuciei tentando assimilar as palavras dele com o pouco que eu sabia de inglês.

-Ótimo. Você traga o bisturi, você a anestesia, você a linha de ponto. Separe a tesoura e os panos. Encaixe o soro nela. – O tempo das contrações tinha diminuído Eu parecia que ia desmaiar de tanta dor. Gritei apertando a maca. O suor e as lagrimas escorriam pelo meu rosto.

-Miss Sarin. Mantenha-se firme e calma. Precisamos da sua ajuda. –Senti algo rasgar fundo minha barriga.

-AHH! –gritei de dor.

-Mais anestesia! –Gritou o médico. Consegui ouvir o monitor cardíaco disparando e os médicos distribuindo ordens e realizando os procedimentos.

-Ela está perdendo muito sangue doutor.

-Eu sei. Estou quase lá. O bebê se enrolou no cordão umbilical. Vamos ter problemas. –Fiquei desesperada. Escutei um chorinho fino. –Consegui! –Em alguns minutos a criança ainda ensangüentada foi posta ao lado do meu rosto.

-É uma linda menina. –Disse a enfermeira levando minha filhinha. Estavam tirando meu bebê de mim. Traga-a de volta! Eu não conseguia gritar. Mesmo fraca estiquei o braço pra minha bebê.



-Minha filha... Tragam ela... –Disse.

-Calma miss Sarin. Logo vai estar junto de sua filha. –Tentei me acalmar enquanto costuravam minha barriga. –Felizmente não houve a hemorragia. As duas estão saudáveis, mas é essencial que ela se acalme, ou acabará inflamando os pontos. –Respirei fundo perdendo a consciência. Deixei aos poucos o cansaço tomar conta de mim enquanto eles falavam sobre meu estado de saúde e o da minha filha. Segundo o que consegui entender eu e ela estávamos bem, ela ia fazer alguns exames e logo tudo “voltaria ao normal”. Eu dor e sonhei.

Eu estava num parque de Los Angeles, o outono espalhava as folhas secas no chão de pedrinhas. Tudo estava calmo de uma maneira estranha.

-Bonito aqui, não?

-Sim. –Sorri olhando para quem falava comigo. Era ela. Emily, a mãe de Daniel.

-Queria ter conhecido minha neta. –Disse Emily dando um leve sorriso.

-Ela... –Não terminei de falar, nem sabia o que dizer.

-Daniel não fez por querer. Não acho que minha neta precise sofrer por isso.

Olhei pra Emily. Como ela sabia de tudo isso? Como sabia da minha filha? Dos meus problemas com Daniel?

-Ele me trocou pela “Kath”. –Disse fazendo tom de deboche.

-Ele não te trocou. O meu filho te ama Sarin.

-Queria ter certeza disso. –Disse deitando-me em seu colo. Eu estava cansada.

-Ele ainda é um menino, mas com certeza essa filha irá amadurecê-lo. Você o mudou e ela o mudará ainda mais. Confie nele Sarin... –Assenti e bocejei.

-Onde estamos?

-Eu não sei... Realmente não sei...

Der repente acordei em um quarto de hospital. Tinha sido um sonho. Talvez. Eu ainda ouvia o monitor cardíaco e o soro pingando. Tudo a meu redor era branco. Respirei fundo e tentei mudar de posição. Doía tentar me mexer. Vi que minha barriga já estava menos inchada.

-Posso falar com você? –Disse Daniel parado na porta entreaberta. Ele estava com um aspecto frágil. Com o cabelo bagunçado e olheiras. A quanto tempo ele estava ali? Eu já não fazia idéia de que dia era.

-Sim. –Disse ajeitando-me. Ele veio até o meu lado lentamente e senti o meu sangue esquentar.

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